Estreei como colaborador no blog de um amigo.
O blog se chama Budô e o amigo Moreno. O blog era dele, mas eu me senti tão afim àquelas reflexões que abriria um semelhante. Depois de falarmos sobre, chegamos a um acordo e acabei me juntando ao blog dele. Reuniremos lá nossas anotações acerca do aprendizado no Caminho das Artes Marcias. Ele já escreve lá há anos. Estou esperançoso! Esse intercâmbio marcial tem tudo para enriquecer o aperfeiçoamento dos dois aprendizes e dos que participarem lendo, comentando ou conversando conosco sobre. O recado era esse.

Abraços e obrigado por ler!

Há três dias, escrevi pela primeira vez sobre Direito, tomando por base as lições de Miguel Reale. Tratei da propedêutica jurídica à luz do livro “Lições Preliminares de Direito”. Hoje, numa triste coincidência, ele morreu. Talvez, agora o Brasil esteja danado também no ramo do Direito. Seu maior gênio se foi.
Presto esta homenagem com a humildade de quem, ao começar a reconhecer o imenso valor de um autor relativamente próximo, perde toda a chance de conhecê-lo pessoalmente, de saber de suas novas descobertas, de acompanhar sua crescente obra. O que me resta é desejar que tenha um lugar de honra – lugar que faça justiça pelo bem que prestou à humanidade – no Livro dos Imortais, este que alguns chamam de História.
Deus, certamente, o acolherá na hoste dos justos.

Miguel Reale, jurista que dispensa apresentações, estabelece em seu livro “Lições Preliminares de Direito” as finalidades da disciplina, que considera importantíssima, chamada Introdução ao Estudo do Direito. É esta a ciência propedêutica da Ciência Jurídica, e que, portanto tem a incumbência de transmitir os intrumentos mais básicos para a compreensão do Direito como ciência, como fato social, como dado cultural e como um dos dentre os tantos saberes do homem, muito ligado a outros que o antecipam ou dependem dele. Reale a define assim:

 

(…) a Introdução ao Estudo do Direito é um sistema de conhecimentos recebidos de múltiplas fontes de informação, destinado a oferecer os elementos essenciais ao estudo do Direito, em termos de linguagem e de método, com uma visão preliminar das partes que o compõem e de sua complementaridade, bem como de sua situação na história da cultura.

 

Tenho algumas hipóteses sobre os resultados do êxito neste estudo, coisa que comprovarei assim que eu terminar de estudar os livros que eu escolhi para dominar tal ciência. Tratarei disso adiante.

Vamos às quatro finalidades elencadas por Reale, que tomou-as por principais:

 

  1. Visão panorâmica e unitária do Direito;

  2. Divisão e classificação das disciplinas jurídicas enfatizando sua complementaridade;

  3. Esclarecimento e determinação do vocabulário jurídico, traçando as fronteiras entre este e o vocabulário comum;

  4. Localização do Direito no mundo da cultura, no universo do saber humano;

  5. Compreensão do método da ciência do direito.

 

A compreensão do Direito como ciência é imprescindível, o que torna forçoso o estudo de metodologia das ciências e de ciência como tal. Ensina Reale: “Método é o caminho que deve ser percorrido para a aquisição da verdade, ou, por outras palavras, de um resultado exato e rigorosamente verificado. Sem método não há ciência”; “A ciência é uma verificação de conhecimentos, e um sistema de conhecimentos verificados”, “(…)cada ciência tem sua forma de verificação, que não é apenas a do modelo físico ou matemático”.

 

Depois de atingidos os cinco propósitos, penso que a comprovação o sucesso venha do poder de se adentrar quando se queira no mundo jurídico, este mundo que está pressuposto em cada ação do homem que se relacione com outro homem. Como? Enxergando e pensando sobre cada fenômeno jurídico que se apresente. O pensar sobre isso, imagino, deve levar o sujeito a pensar juridicamente, e a partir daí, poderá adquirir com muito mais facilidade e propriedade a consciência das leis existentes. Entendo que pensar juridicamente seja enxergar os fatos jurídicos, relacionando dados da realidade com as normas jurídicas que os regram. É pensar nos fatos da vida segundo as normas, mas tendo sempre presente a consciência do que seja o Direito num sentido mais amplo. Ora, parece complicado, mas se o amigo leitor ler um livro de Introdução ao Direito entenderá o que digo. Agora chega. Vou estudar mais isso aí, depois volto ao assunto.

Esta é a tradução que fiz de um pequeno texto de Tomás de Aquino acerca da astrologia. Eu gostaria de ter feito uma introdução, mas Aquino está respondendo a alguém, e não descobri quem é seu interlocutor. Se souber, leitor, avise-me. Por enquanto, fica aí o texto assim mesmo.

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DE JUDICIIS ASTRORUM

(SOBRE OS JUÍZOS ASTROLÓGICOS)

 

SANTO TOMÁS DE AQUINO

 

  1. Do tema investigado

Dado que me pediste que te escrevesse sobre a licitude do uso dos conhecimentos sobre os astros, querendo satisfazer teu pedido, procurei escrever-te sobre aquelas coisas que nos são transmitidas pelos doutores sagrados.

 

  1. Do que é lícito

A) Princípio

Em primeiro lugar, é necessário que tu saibas que a força dos corpos celestes produz mudanças nos corpos inferiores. Com efeito, diz Agostinho no livro V Sobre a cidade de Deus: “Pode-se dizer, nem sempre nesciamente, que certos hálitos astrais têm eficácia quanto às diferenças dos corpos[1].

B) Aplicação do princípio

E por isso, se alguém se serve do juízo dos astros para conhecer efeitos corporais, por exemplo, a ocorrência de tempestades ou de tempo bom, a saúde ou doença dos corpos, a abundância ou a esterilidade das colheitas e outras coisas que dependem de causas naturais cognoscíveis, não há nisso pecado, pois todos os homens são obrigados a nisso submeter-se aos astros. O agricultor só pode semear ou colher prudentemente se se assegurar dos movimentos do sol; os marinheiros evitam as navegações na lua cheia (plenilunium) ou durante o eclipse da lua; os médicos, no que tange às doenças, observam os dias críticos [2], que são determinados segundo o curso do sol e da lua.

 

  1. Do que não é lícito

A) Princípio

Mas, é necessário manter completamente isto: que a vontade humana não está sujeita à necessidade dos astros; do contrário, pereceria o livre arbítrio, o qual, se suprimido, não seriam imputadas ao homem nem as boas obras, meritórias, nem as más, culposas. E, por isso, deve ser mantida com toda certeza, por todo cristão, qualquer seja, que aquelas coisas que dependem da vontade do homem, como são todas as obras humanas, não estão submetidas por necessidade aos astros; e, por conseguinte, se diz em Jeremias 10, 2: “Não tenhais medo dos sinais celestes, aos quais temem os pagãos”.

B) Explicação

Porém, o diabo, para arrastar todos ao erro, interfere nas operações dos que lidam com os juízos sobre astros; e por isso diz Agostinho, no livro II, Sobre o Gênesis segundo o sentido literal: “É preciso confessar que, quando pelos astrólogos são ditas coisas verdadeiras, o são devido a certa ocultíssima inspiração que, sem sabê-lo, padecem as mentes humanas; a qual, dado que se faz para enganar aos homens, é uma operação dos espíritos imundos e sedutores, aos que se lhes permite conhecer certas coisas verdadeiras sobre os assuntos temporais”. E por isso, disse Agustinho, no livro II Sobre a doutrina cristã, que este tipo de observações dos astros devem ser referidas a certos pactos celebrados com os demônios. Agora bem, o fato de ter pacto ou sociedade com os demônios, deve ser absolutamente evitado pelos cristãos, como observa o Apóstolo em I Corintios 10, 20: “Não quero que vos associem aos demônios”. E por isso, deve-se ter como certo que é grave pecado recorrer aos juízos astrológicos sobre as coisas que dependem da vontade humana.


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[1] Não consegui traduzir bem isso aí. Se alguém quiser se aventurar, aqui estão as versões em latim e espanhol, respectivamente:

    - Dicit enim Augustinus, V de civitate Dei: non usquequaque absurde dici potest, ad solas corporum differentias afflatus quosdam sidereos pervenire.

    - En efecto, dice Agustín en el libro V Sobre la ciudad de Dios: Puede decirse, no siempre neciamente, que ciertos hálitos astrales llegan a solas las diferencias de los cuerpos.

[2] Dias críticos” são os dias nos quais se dá a ‘crisis’ de uma enfermidade, ou seja, uma mutação considerável na mesma, seja para a cura, seja ao agravamento ou à morte do enfermo. As influências astrológicas sobre as crises das doenças não são consideradas pela medicina atual.

 

Um problema grave do brasileiro ordinário é sua capacidade de se fazer entender num discurso oral ou verbal. Desde menino tenho interesse em desenvolver essas habilidades, e penso ter certa facilidade para falar e escrever, em público ou para o espelho. Tenho a intenção de, neste texto, organizar e explicar algumas dicas de redação que aprendi ao longo das minhas leituras, conversas com estudiosos e experiências. Faria isso só para meu arquivo pessoal, porém alguns amigos interessados, ou, não tão amigos mas igualmente interessados, podem se beneficiar se eu publicar. Então, assim o faço.

Em síntese, a técnica suprema para aprender a redigir consiste em ler obras que expressem a sabedoria universal, entendê-las no conteúdo e imitá-las na forma. Ah, é preciso saber gramática. A seguir, vou tentar analisar o que expressei nesse parágrafo.

Uma técnica que já beneficiou muita gente é a de ler muito. Conforme lê, grava em sua memória pictória a grafia correta e erra incomparavelmente menos do que se não lesse, embora continue errando. Ler mais é sim o primeiro passo, mas não é suficiente.

O segundo passo é a escolha do que ler. Se o sujeito resolve passar a ler mais para futuramente ser um advogado ou magistrado que escreva bem, não poderá se contentar em ler “Pato Donald”, “O Demolidor”, ou o caderno de esportes de um jornal. Terá de ler algo que aproveite mais recursos do idioma. Para escolher, não é aconselhável se distanciar muito do interesse pessoal em detrimento de textos mais complexos. Isso não garante o aprendizado mais rápido. Pelo contrário, atrapalha.

Sendo o sujeito um seguidor da doutrina espírita, penso que o mais indicado seja começar pelos romances psicografados. Mas, eles não bastarão. O melhor mesmo é ler Allan Kardec. Se for um cara interessado em política, é interessante que leia os livros de Ciência Política, ou de Teoria Geral do Estado. Isso não é tão simples. Ler o que interessa pode não elevar uma pessoa da leitura de cardápio.

É preciso objetivar a superação constante. Se se começa por ler romances simples ou best-sellers profundos como são os pires, será imperiosa a necessidade de adiantar-se para as obras mais complexas, sob pena de escrever num estilo viciado: feio, pedante, impreciso, imbecil. É como o guitarrista que ao invés de tentar imitar Van Halen, ou Steve Vai, fica imitando a vida inteirinha os Ramones, ou Greenday. Se precisar compor, vai fazer algo no mesmo nível ou pior do que as porcarias que imita. Com a escrita é a mesma coisa. É preciso sempre avançar.

Há livros universalmente recomendáveis. A maioria eu coletei de listas de indicação dadas pelos filósofos Mário Ferreira dos Santos, Olavo de Carvalho, Mortimer Adler e de alguns professores que tive. Procurarei indicar os que já tive contato para que eu não me afaste da minha experiência. São o “Livro da Sabedoria” o os “Provérbios” de Salomão, “Xogum” de James Clavel, “Musashi” de Eiji Yoshikawa, as obras aforismáticas de Nietzsche como “Gaia Ciência” (todo cuidado é pouco), “Tao Te King” do Lao-Tsé, “Pensamentos” de Pascal, “Apologia de Sócrates” de Platão, “Hamlet” de Shakespeare, “O senhor de Sándara” de Carlos Gonzáles Bernardo Pecotche, etc.

Até agora eu tratei de criatividade, de enriquecimento da mentalidade, de embelezamento e sublimidade no desenvolvimento de um tema. Porém, há a necessidade de fazê-lo atendendo às exigências da língua vernácula. Mais uma vez, insisto no estudo da gramática que por si só, não basta. Deve-se criar um estilo e um modo de usar a língua, no caso a portuguesa, de modo a expressar as mais variadas manisfestações naturais e espirituais, os mais diversos sentimentos e pensamentos com exatidão e precisão. O caso é de ler e imitar os melhores escritores, e dentre eles, dois dos principais são Camões e Machado de Assis.

Parece que complicou, né? Não complicou coisa nenhuma. Vou sintetizar novamente, agora, de outra maneira:

     

  1. Aumentar a quantidade de leituras;

     

  2. Escolher as leituras com base nos critérios:

    a) Interesse;

    b) Superação constante;

    c) Contato com a sabedoria universal;

    d) Beleza e sublimidade na língua vernácula;

     

  3. Procurar imitar o que foi admirado nas leituras;

     

  4. Sempre tirar as dúvidas de gramática, sempre.

Assisti, finalmente, ao filme que meus amigos tanto queriam que eu assistisse: Star Wars. Pretendo analisar os símbolos mais gritantes presentes no filme. Para isso farei uma breve análise. É breve porque dormi em alguns trechos do filme, me distrai noutros e deixei de ler legendas noutros por causa da sonolência. E também, porque estou caindo de sono nesse exato momento, está tarde, e tenho aula de Kendo amanhã cedo.

Vi ali uma apologia da religiosidade tradicional. Fortes eram os que tinham contato com a força, o que parece óbvio ao leitor chatão que não sabe que força é um termo técnico nesse caso. A força representa o contato com o que há de mais elevado, com a causa criadora, motriz e sustentadora do universo. É uma (ou a) via de contato com a divindade, com as energias regentes do cosmos.

O doidinho que tinha nome estranho e era o melhor ator do filme, era um eremita, que na certa, viveria calado, solitário e sem grande projeção social se não lhe fosse mostrado que havia um perigo iminente de dimensões catatróficas, e que ele poderia ajudar. Ele era forte. Do outro lado, havia o lado negro da força, que era a única contraposição possível à força do lado puro. Todo o resto é diminuto perto disso aí.

Há um diálogo onde um sujeito cético, cientificista, tecnólogo desafia Darth Vader, o “rei” dos malvados, zombando da força e da religião antiga. Ele é esganado por algo que ele nem via, e sentiu o poder da coisa. A tecnologia, os poderes dos inventos mais extravagentes feitos pela ciência, são mostrados como inferiores, insuficientes e eu diria até que insignificantes perto da tradição espiritual. Tudo era um monte de aparatos e tranqueiras que se rebaixavam à força – o poder da antiga religião. Sempre foi assim, é assim, e sempre será. Não importa se o mundo está mais ou menos emperequetado. O Império foi dominado e foi salvo por aqueles que tinham relação com a tal da força. Fora das sagradas tradições de guerreiros, guerreiros-magos e magos puros não há verdadeiro poder.

Como afirmei no início do texto, o poder poderia não ter sido exercido na esfera política, mas o foi por causa de emergência. O poder não está na política, que é um tipo de poder que será controlado pelos que dominam outro poder. Refiro-me à danada da força.

A força representa as tradições, a cultura interna e espiritual, transmitida por sucessão discipular, e não por populistas, estadistas ou pela TV Cultura. É cara a cara. O que sabe e o que quer aprender. Erros são cometidos, mas o mestre nunca é a Perfeição. Há a falibilidade do mestre, pois ele sempre é o símbolo de Deus, o signo do que há de mais alto na realidade, do espírito. Mas não passa de um símbolo.

O discípulo é a alma, mais ou menos obediente ao espírito, que no entanto, pode ser tentada e sucumbir às tentações dos reinos inferiores, mesmo depois de muito cultivo de virtudes de não tão alta estirpe. Estas são as habilidades e proezas aprendidas por causa do cultivo espiritual, mas que se usadas para fins malévolos, perdem sua razão de ser. A conquista do conhecimento da razão de ser das coisas é uma virtude de mais alta estirpe. Alto é seguir o Dever Moral, o Dharma. O que faz isso está com a força. O que usava a força para fins ignóbeis, tinha se aproximado do espírito num dado momento da sua vida, e por isso, repito, conquistou certos poderes e uma visão ampla, mas assim que caiu, perdeu a noção de realidade, que o fez lutar contra o que o sustentava e lhe dava a vida. A força.

Como ensinava o O-Sensei Ueshiba, aquele que está em harmonia com o universo, indo a favor dele e respeitando suas Leis, já venceu a batalha antes dela começar. O Universo vai para onde o seu Criador quis que ele fosse. Os poderesinhos, a espada de festa rave e aqueles trambiques que fazem barulho no vácuo são parafernálias dispensáveis aos verdadeiros seguidores da força.

Acho que já é suficiente.

Percebi que alguns dos modelos seguidos pelos meus compatriotas com mais fervor são dois energúmenos. Mick Jagger e Bono Vox são seus nomes. Um velho que fez questão de manter todas as idiotices de seu tempo de juventude e um pacifista militante que pensa entender de geopolítica brasileira só porque comeu com o Sumo Ignaro. Não cantam nada e só falam e fazem asneiras. O segundo, está cotado até para o Nobel da paz. Certamente, os que o indicaram não pensaram nisto.
É de lamentar a idolatria a tipinhos como esses.

O fator mais importante para o desenvolvimento de um povo é sua capacidade de estudo. A pátria (não a máquina estatal) deve incentivar e auxiliar o desenvolvimento dos vocacionados ao estudo com todas as suas possibilidades. Porém, o que vejo e sinto na pele, no Brasil, é uma fabricação de dificuldades ao estudioso.

Os incentivos ao cultivo do saber não existem, mas os desestímulos e a criação de dificuldades são intermináveis. Esse desejo de saber cada vez mais é raro, e quando existe na juventude, deve ser nutrido e aproveitado como uma pedra preciosa dentro de um lodaçal. É a faísca divina que aparece para iluminar a escuridão da vida de pecados. Se o jovem, por natureza já tão inclinado ao erro, não for auxiliado, incentivado e educado pelos mais experientes e pelos que têm recursos, ele cairá e deixará sua vocação. É uma desgraça, mas, factum est, só os imensamente fortes seguem sozinhos em meio aos mais indizíveis obstáculos.

Como já disse, sinto na pele o que é parecer um doudo por tentar compreender a mim mesmo, ao mundo, à vida. Pois isto é o que levanta um povo inteiro em todos os aspectos: o encontro das chaves que abrem as portas ao conhecimento das questões fundamentais. Essas respostas elevam integralmente um homem, depois um conjunto de homens, até chegar à humanidade inteira. E essas forças imensuráveis vêm das mentes de poucos, desses poucos brâmanes que se dedicam a tal elucidação.
Eu não acredito em salvação pela política, eu não acredito em ajuda estatal. Eu acredito em elevação cultural e espiritual feitas no nível individual. E pra isso, a política não pode e não deve atrapalhar.

(em colaboração com Luís Guilherme [Pereira] )

Segue fábula de Hans Christian Andersen, pule se você já conhece

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“Era uma vez um rei, tão exageradamente amigo de roupas novas, que nelas gastava todo o seu dinheiro. Ele não se preocupava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pela floresta, a não ser para exibir roupas novas. Para cada hora do dia, tinha uma roupa diferente. Em vez de o povo dizer, como de costume, com relação a outro rei: “Ele está em seu gabinete de trabalho”, dizia “Ele está no seu quarto de vestir”.

A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo. Não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisíveis às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

“Essas fazendas devem ser esplêndidas, pensou o rei. Usando-as poderei descobrir quais os homens, no meu reino, que não estão em condições de ocupar seus postos, e poderei substituí-los pelos mais capazes… Ordenarei, então, que fabriquem certa quantidade deste tecido para mim.”

Pagou aos dois tecelões uma grande quantia, adiantadamente, para que logo começassem a trabalhar. Eles trouxeram dois teares nos quais fingiram tecer, mas nada havia em suas lançadeiras. Exigiram que lhes fosse dada uma porção da mais cara linha de seda e ouro, que puseram imediatamente em suas bolsas, enquanto fingiam trabalhar nos teares vazios.

- Eu gostaria de saber como vai indo o trabalho dos tecelões, pensou o rei. Entretanto, sentiu-se um pouco embaraçado ao pensar que quem fosse estúpido, ou não tivesse capacidade para ocupar seu posto, não seria capaz de ver o tecido. Ele não tinha propriamente dúvidas a seu respeito, mas achou melhor mandar alguém primeiro, para ver o andamento do trabalho.

Todos na cidade conheciam o maravilhoso poder do tecido e cada qual estava mais ansioso para saber quão estúpido era o seu vizinho.

- Mandarei meu velho ministro observar o trabalho dos tecelões. Ele, melhor do que ninguém, poderá ver o tecido, pois é um homem inteligente e que desempenha suas funções com o máximo da perfeição, resolveu o rei.

Assim sendo, mandou o velho ministro ao quarto onde os dois embusteiros simulavam trabalhar nos teares vazios.

- “Deus nos acuda!!!” pensou o velho ministro, abrindo bem os olhos. “Não consigo ver nada!”

Não obstante, teve o cuidado de não declarar isso em voz alta. Os tecelões o convidaram para aproximar-se a fim de verificar se o tecido estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem fixou a vista o mais que pode, mas não conseguiu ver coisa alguma.
- “Céus!, pensou ele. Será possível que eu seja um tolo? Se é assim, ninguém deverá sabê-lo e não direi a quem quer que seja que não vi o tecido.”

- O senhor nada disse sobre a fazenda, queixou-se um dos tecelões.

- Oh, é muito bonita. É encantadora!! Respondeu o ministro, olhando através de seus óculos. O padrão é lindo e as cores estão muito bem combinadas. Direi ao rei que me agradou muito.

- Estamos encantados com a sua opinião, responderam os dois ao mesmo tempo e descreveram as cores e o padrão especial da fazenda. O velho ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam, para poder reproduzi-lo diante do rei.

Os embusteiros pediram mais dinheiro, mais seda e ouro para prosseguir o trabalho. Puseram tudo em suas bolsas. Nem um fiapo foi posto nos teares, e continuaram fingindo que teciam. Algum tempo depois, o rei enviou outro fiel oficial para olhar o andamento do trabalho e saber se ficaria pronto em breve. A mesma coisa lhe aconteceu: olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios.

- Não é lindo o tecido? Indagaram os tecelões, e deram-lhe as mais variadas explicações sobre o padrão e as cores.

“Eu penso que não sou um tolo, refletiu o homem. Se assim fosse, eu não estaria à altura do cargo que ocupo. Que coisa estranha!!”… Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho do tecido e, depois, disse ao rei: “É uma verdadeira maravilha!!”

Todos na cidade não falavam noutra coisa senão nessa esplendida fazenda, de modo que o rei, muito curioso, resolveu vê-la, enquanto ainda estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesões, entre os quais se achavam os dois que já tinham ido ver o imaginário tecido, foi ele visitar os dois astuciosos impostores. Eles estavam trabalhando mais do que nunca, nos teares vazios.

- É magnífico! Disseram os dois altos funcionários do rei. Veja Majestade, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores! Apontavam para os teares vazios com receio de que os outros não estivessem vendo o tecido.

O rei, que nada via, horrorizado pensou: “Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!” Então, bem alto, declarou:

- Que beleza! Realmente merece minha aprovação!! Por nada neste mundo ele confessaria que não tinha visto coisa nenhuma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiram ver a fazenda, mas exclamaram a uma só voz:
- Deslumbrante!! Magnífico!!

Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei concedeu a cada um dos tecelões uma condecoração de cavaleiro, para seu usada na lapela, com o título “cavaleiro tecelão”. Na noite que precedeu o desfile, os embusteiros fiizeram serão. Queimaram dezesseis velas para que todos vissem o quanto estavam trabalhando, para aprontar a roupa. Fingiram tirar o tecido dos teares, cortaram a roupa no ar, com um par de tesouras enormes e coseram-na com agulhas sem linha. Afinal, disseram:

- Agora, a roupa do rei está pronta.

Sua Majestade, acompanhado dos cortesões, veio vestir a nova roupa. Os tecelões fingiam segurar alguma coisa e diziam: “aqui está a calça, aqui está o casaco, e aqui o manto. Estão leves como uma teia de aranha. Pode parecer a alguém que não há nada cobrindo a pessoa, mas aí é que está a beleza da fazenda”.

- Sim! Concordaram todos, embora nada estivessem vendo.

- Poderia Vossa Majestade tirar a roupa? propuseram os embusteiros. Assim poderiamos vestir-lhe a nova, aqui, em frente ao espelho. O rei fez-lhes a vontade e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua majestade virava-se para lá e para cá, olhando-se no espelho e vendo sempre a mesma imagem, de seu corpo nu.

- Como lhe assentou bem o novo traje! Que lindas cores! Que bonito desenho! Diziam todos com medo de perderem seus postos se admitissem que não viam nada. O mestre de cerimônias anunciou:

- A carruagem está esperando à porta, para conduzir Sua Majestade, durante o desfile.

- Estou quase pronto, respondeu ele.

Mais uma vez, virou-se em frente ao espelho, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa.

Os camareiros que iam segurar a cauda, inclinaram-se, como se fossem levantá-la do chão e foram caminhando, com as mãos no ar, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. O rei caminhou à frente da carruagem, durante o desfile. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava:

- Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido!

Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso!

Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou:

- Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!!

O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar:

- Ele está nu! Ele está nu!

O rei, ao ouvir esses comentários, ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! O desfile, entretanto, devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os camareiros continuaram a segurar-lhe a cauda invisível. Depois que tudo terminou, ele voltou ao palácio, de onde envergonhado, nunca mais pretendia sair. Somente depois de muito tempo, com o carinho e afeto demonstrado por seus cortesões e por todo o povo, também envergonhados por se deixarem enganar pelos falsos tecelões, e que clamavam pela volta do rei, é que ele resolveu se mostrar em breve aparições… Mas nunca mais se deixou levar pela vaidade e perdeu para sempre a mania de trocar de roupas a todo momento.


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Vejamos um auto-retrato de Leonardo Da Vinci:
Leonardo Da Vinci

Vejamos outro auto-retrato, este de Joan Miró:
Joan Miro

Contudo, este último tem a especialidade de parecer um rabisco de criança às pessoas destituídas de inteligência.

Posto aqui um texto que admiro há muito tempo, e penso que já deveria ter postado. Faz parte do livro “Convite à Filosofia” do Mário Ferreira dos Santos. É a antecipação para a idéia do livro. Penso que o lugar da Filosofia no panorama das ciências seja mostrado neste escrito de modo magnífico, embora seja um texto introdutório de um livro introdutório.
Lá vai:

Em suas longas e demoradas especulações através dos séculos, tem o homem constantemente perguntado. E as respostas às magnas e mais importantes perguntas, levaram-no a formular outras que se algumas vezes satisfizeram a alguns, não satisfizeram a todos e, por sua vez, provocaram novas perguntas.

Perguntou o homem sobre si mesmo: Quem sou? De onde vim? A Antropologia procura responder-lhe essa pergunta. E a Cosmologia, que estuda a ordem do cosmos, procura responder-lhe sobre a origem deste, de onde veio, qual o primeiro princípio. E vem a Teologia, ciência das coisas divinas, para discutir as razões e motivos a favor ou a desfavor da crença de Deus, o ser criador.

E se Deus existe, por que o Bem e o Mal? Por que não é diferente o mundo? E dessas perguntas, outra disciplina, a Teodicéia (de Theos, Deus, e dikê, justiça, em grego) é a quem cabe responder se há ou não justiça no mundo.

E como sabemos? E vem a Gnosiologia para explicar-nos o conhecimento.

Como se dá o saber culto? E eis a Epistemologia, que estuda o saber das diversas ciências.

E como formou o homem a sua inteligência? E eis a Psicogênese, que lhe ensinará e discutira os problemas referentes à formação do psiquismo humano. E o espírito humano, que é criador, como surgiu? E sobre esse espírito criador surge outra disciplina, a Noogênese, que estuda a gênese do nous, o espírito, e, finalmente a Noologia, a ciência do espírito.

E como funciona esse psiquismo? E eis a Psicologia, que se encarrega de propor respostas às perguntas formuladas aqui.

Mas, significam as coisas algo, dizem mais do que o fenomênico? E eis a Simbólica, que examina as significações das coisas.

E há algo mais oculto, que possamos penetrar mais profundamente? E eis a Mística, que quer responder a essas perguntas.

E as coisas são belas, apresentam em si mesmas algo que lhes dê outro valor. E então é a Estética que estudará este ponto.

E o transcendente? Poderemos alcançar o que está além de nós, além da nossa experiência? E eis a Metafísica Geral, a Ontologia, para responder-lhes a tais perguntas.

E como se dão os fatos no universo? E temos a Ciência, que procura explicar o nexo do acontecer dentro de si mesmo, em sua imanência, no seu mana em, dentro de si, nas coisas experimentáveis.

E como medir os fatos e contá-los? E surge a Matemática.

E como compreender o homem em suas relações com os outros? E a Ética, a Moral, o Direito, a História e a Sociologia propõem-lhes respostas.

E como compreender o nexo dos pensamentos e usá-los da melhor maneira para atingir uma iluminação, que nos mostre mais nitidamente os fatos? E eis a Lógica e a Dialética.

E como explicar tudo isso, dar o nexo a tudo, juntar todo conhecimento humano, e analisá-lo num grande corpo, num grande saber, que seja o saber de tudo, que seja o saber dos saberes, e…

Eis a Filosofia.

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