Comédia moral


(em colaboração com Luís Guilherme [Pereira] )

Segue fábula de Hans Christian Andersen, pule se você já conhece

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“Era uma vez um rei, tão exageradamente amigo de roupas novas, que nelas gastava todo o seu dinheiro. Ele não se preocupava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pela floresta, a não ser para exibir roupas novas. Para cada hora do dia, tinha uma roupa diferente. Em vez de o povo dizer, como de costume, com relação a outro rei: “Ele está em seu gabinete de trabalho”, dizia “Ele está no seu quarto de vestir”.

A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo. Não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisíveis às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

“Essas fazendas devem ser esplêndidas, pensou o rei. Usando-as poderei descobrir quais os homens, no meu reino, que não estão em condições de ocupar seus postos, e poderei substituí-los pelos mais capazes… Ordenarei, então, que fabriquem certa quantidade deste tecido para mim.”

Pagou aos dois tecelões uma grande quantia, adiantadamente, para que logo começassem a trabalhar. Eles trouxeram dois teares nos quais fingiram tecer, mas nada havia em suas lançadeiras. Exigiram que lhes fosse dada uma porção da mais cara linha de seda e ouro, que puseram imediatamente em suas bolsas, enquanto fingiam trabalhar nos teares vazios.

- Eu gostaria de saber como vai indo o trabalho dos tecelões, pensou o rei. Entretanto, sentiu-se um pouco embaraçado ao pensar que quem fosse estúpido, ou não tivesse capacidade para ocupar seu posto, não seria capaz de ver o tecido. Ele não tinha propriamente dúvidas a seu respeito, mas achou melhor mandar alguém primeiro, para ver o andamento do trabalho.

Todos na cidade conheciam o maravilhoso poder do tecido e cada qual estava mais ansioso para saber quão estúpido era o seu vizinho.

- Mandarei meu velho ministro observar o trabalho dos tecelões. Ele, melhor do que ninguém, poderá ver o tecido, pois é um homem inteligente e que desempenha suas funções com o máximo da perfeição, resolveu o rei.

Assim sendo, mandou o velho ministro ao quarto onde os dois embusteiros simulavam trabalhar nos teares vazios.

- “Deus nos acuda!!!” pensou o velho ministro, abrindo bem os olhos. “Não consigo ver nada!”

Não obstante, teve o cuidado de não declarar isso em voz alta. Os tecelões o convidaram para aproximar-se a fim de verificar se o tecido estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem fixou a vista o mais que pode, mas não conseguiu ver coisa alguma.
- “Céus!, pensou ele. Será possível que eu seja um tolo? Se é assim, ninguém deverá sabê-lo e não direi a quem quer que seja que não vi o tecido.”

- O senhor nada disse sobre a fazenda, queixou-se um dos tecelões.

- Oh, é muito bonita. É encantadora!! Respondeu o ministro, olhando através de seus óculos. O padrão é lindo e as cores estão muito bem combinadas. Direi ao rei que me agradou muito.

- Estamos encantados com a sua opinião, responderam os dois ao mesmo tempo e descreveram as cores e o padrão especial da fazenda. O velho ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam, para poder reproduzi-lo diante do rei.

Os embusteiros pediram mais dinheiro, mais seda e ouro para prosseguir o trabalho. Puseram tudo em suas bolsas. Nem um fiapo foi posto nos teares, e continuaram fingindo que teciam. Algum tempo depois, o rei enviou outro fiel oficial para olhar o andamento do trabalho e saber se ficaria pronto em breve. A mesma coisa lhe aconteceu: olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios.

- Não é lindo o tecido? Indagaram os tecelões, e deram-lhe as mais variadas explicações sobre o padrão e as cores.

“Eu penso que não sou um tolo, refletiu o homem. Se assim fosse, eu não estaria à altura do cargo que ocupo. Que coisa estranha!!”… Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho do tecido e, depois, disse ao rei: “É uma verdadeira maravilha!!”

Todos na cidade não falavam noutra coisa senão nessa esplendida fazenda, de modo que o rei, muito curioso, resolveu vê-la, enquanto ainda estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesões, entre os quais se achavam os dois que já tinham ido ver o imaginário tecido, foi ele visitar os dois astuciosos impostores. Eles estavam trabalhando mais do que nunca, nos teares vazios.

- É magnífico! Disseram os dois altos funcionários do rei. Veja Majestade, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores! Apontavam para os teares vazios com receio de que os outros não estivessem vendo o tecido.

O rei, que nada via, horrorizado pensou: “Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!” Então, bem alto, declarou:

- Que beleza! Realmente merece minha aprovação!! Por nada neste mundo ele confessaria que não tinha visto coisa nenhuma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiram ver a fazenda, mas exclamaram a uma só voz:
- Deslumbrante!! Magnífico!!

Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei concedeu a cada um dos tecelões uma condecoração de cavaleiro, para seu usada na lapela, com o título “cavaleiro tecelão”. Na noite que precedeu o desfile, os embusteiros fiizeram serão. Queimaram dezesseis velas para que todos vissem o quanto estavam trabalhando, para aprontar a roupa. Fingiram tirar o tecido dos teares, cortaram a roupa no ar, com um par de tesouras enormes e coseram-na com agulhas sem linha. Afinal, disseram:

- Agora, a roupa do rei está pronta.

Sua Majestade, acompanhado dos cortesões, veio vestir a nova roupa. Os tecelões fingiam segurar alguma coisa e diziam: “aqui está a calça, aqui está o casaco, e aqui o manto. Estão leves como uma teia de aranha. Pode parecer a alguém que não há nada cobrindo a pessoa, mas aí é que está a beleza da fazenda”.

- Sim! Concordaram todos, embora nada estivessem vendo.

- Poderia Vossa Majestade tirar a roupa? propuseram os embusteiros. Assim poderiamos vestir-lhe a nova, aqui, em frente ao espelho. O rei fez-lhes a vontade e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua majestade virava-se para lá e para cá, olhando-se no espelho e vendo sempre a mesma imagem, de seu corpo nu.

- Como lhe assentou bem o novo traje! Que lindas cores! Que bonito desenho! Diziam todos com medo de perderem seus postos se admitissem que não viam nada. O mestre de cerimônias anunciou:

- A carruagem está esperando à porta, para conduzir Sua Majestade, durante o desfile.

- Estou quase pronto, respondeu ele.

Mais uma vez, virou-se em frente ao espelho, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa.

Os camareiros que iam segurar a cauda, inclinaram-se, como se fossem levantá-la do chão e foram caminhando, com as mãos no ar, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. O rei caminhou à frente da carruagem, durante o desfile. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava:

- Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido!

Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso!

Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou:

- Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!!

O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar:

- Ele está nu! Ele está nu!

O rei, ao ouvir esses comentários, ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! O desfile, entretanto, devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os camareiros continuaram a segurar-lhe a cauda invisível. Depois que tudo terminou, ele voltou ao palácio, de onde envergonhado, nunca mais pretendia sair. Somente depois de muito tempo, com o carinho e afeto demonstrado por seus cortesões e por todo o povo, também envergonhados por se deixarem enganar pelos falsos tecelões, e que clamavam pela volta do rei, é que ele resolveu se mostrar em breve aparições… Mas nunca mais se deixou levar pela vaidade e perdeu para sempre a mania de trocar de roupas a todo momento.


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Vejamos um auto-retrato de Leonardo Da Vinci:
Leonardo Da Vinci

Vejamos outro auto-retrato, este de Joan Miró:
Joan Miro

Contudo, este último tem a especialidade de parecer um rabisco de criança às pessoas destituídas de inteligência.

 

 

Texto baseado numa idéia que tive ao conversar com uma amiga, a Isabela Yumi, que me apresentou um modelo de educação diferente, utilizado com êxito nos EUA: o “homeschooling”. Para saber mais, há um site deveras elucidativo: http://homeschoolinformation.com/

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Filho: Por que eu tenho que ir à escola pai? Aquilo é um saco!!!

 

Pai: Para se divertir, oras! Vá zoar um pouquinho, ver os amigos, conhecer moças bonitas…

 

Filho: Meus colegas contam que os pais deles insistem nessa bobagem de que eles vão lá para aprender…

 

Pai: Filho, veja bem, lá você não vai aprender nadinha. Vão lhe dizer um monte de coisas que não tem valor nenhum, e na maioria das vezes, tudo do pior modo possível.

 

Filho: Mas por que os pais dos meus colegas não falam isso pra eles?

 

Pai: Porque eles não sabem. Por exemplo: se os filhos deles perguntassem estas coisas, eles se embananariam e responderiam impacientemente, simulando certezas que não têm. Certamente, irão dizer que os tipos como eu fazem lavagem cerebral ou algo do gênero! Não tem segredo: eles se educaram nisso aí que você bem conhece e que costumam chamar de “escola”. Eu estudava por fora na faculdade, e só ia até lá quando necessário, para conseguir o diploma sem maiores problemas.

 

Filho: Vou à escola para conseguir o quê, então, além de zoar?

 

Pai: Para conseguir se formar e estar autorizado a ir a uma universidade, para poder atuar numa profissão mais alta do que a de quem não tem diploma. Só vai adquirir a autorização social e legal; não tem nada a ver com aprender.

 

Filho: Por que não deixam as pessoas fazerem vestibular, mesmo sem formação na escola? Ué, se passarem estarão com condição de ir à universidade! Não é?

 

Pai: Não, não é filho. Aliás, deveria ser por aí mesmo, mas o vestibular não avalia direito, então precisam garantir por meio de uma papelada enorme que o sujeito está apto. Apto estará ele a dizer um monte de abobrinhas e a “pensar” tudo errado. Isso é interessante para os que governam a cultura e, por tabela, tudo o mais, pois ensinam o que querem do modo que querem. Aqueles que confiam a educação dos filhos unicamente a isso aí, não sabem nada! São uns irresponsáveis! Aprender mesmo, só em casa, com os professores que a gente escolher.

 

Filho: Mas eu não estou numa das melhores escolas?

 

Pai: Ora, numa das melhores para zoar, ver os amigos..!

 

Filho: Eu não consigo entender o que os meus colegas fazem no tempo em que eu estudo com os professores que o senhor escolheu, e no tempo em que treino artes marciais. Eles, simplesmente jogam tempo no lixo?

 

Pai: Assistem a porcarias na televisão, jogam no computador, lêem gibis, aporrinham os pais, jogam futebol e outros esportes similares, torcem para seus times etc.

 

Filho: Mas isso é chato pra burro..!

 

Pai: É sim. Pena que eles não sabem fazer outra coisa. Não podem nem vislumbrar o alcance de seu horizonte de consciência.

 

Filho: Isso eu já percebi! Por isso, não conseguem entender que a escola é imprestável, que não tem nada a ver com instrução de verdade, embora TODOS a considerem uma chatice! Pensam que sabem ler e escrever, mesmo não entendendo nada do que lêem e ouvem. Escrevem tudo tudo errado. Esquecem que logo vão precisar de muito estudo para o seu sustento físico, mental e espiritual, e que se encontrarão vazios disso no futuro!

 

Pai: É isso. Mas, não só no futuro… Já são vazios!

Desenvolva a idéia de aprender com sujeitos aptos a lhe ensinar algo de valor. E também o auto-didatismo. Aprenda a aprender, e se verá livre até dos professores que conhece aqui em casa. Atente ao fato de você poder se tornar um oásis em meio a um deserto de tanta incompreensão e vulgaridade. Coragem! Talvez, consiga sair daqui algum dia, e ir a um lugar onde valorizem mais o saber. Mas tenha sempre em mente que o ponto de apoio deve estar em você mesmo e em Deus, e não em um lugar ou em uma pessoa.

 

Filho: Que baita “responsa”..!

 

Pai: É isso que nos faz humanos, ora. Senão poderíamos ser como os cães. Não haveria necessidade de tanta parafernália. Seus professores querem lhe ensinar um monte de coisas, pra um dia você trabalhar, ganhar uma graninha, sustentar sua família, e ser tão chato, burro, hedonista, melancólico, falto de sentido como eles. Isso é uma animalidade mais sofisticada, pra não dizer vampiresco, diabólico…

 

Filho: Só falta aos professores e aos alunos irem de quatro às aulas! Hahahah.

Estudar para depois só comer, se distrair, dormir, trepar, trabalhar amargamente… Bah!!! Era melhor nascer como um avestruz! Ou como um esquilo, uma tartaruga, um tigre, um macaco..!

 

Pai: Está aprendendo…