Desde que fui assaltado pela primeira vez por dois moleques que roubaram meus chinelos, não perdi a vontade de sumir com a criminalidade. Já fui assaltado muitas vezes mais, por homens armados numa moto, com revólver na cabeça, com pistola na cintura do inimigo, por oito ou nove maltrapilhos armados com facas etc. Não acredito que com outros jovens de idade próxima a minha tenha sido muito diferente.
Levando em conta que eu não fui um mero azarado, mas que essas são características do Brasil atual, por que a população não contesta isso com maior objetividade, saindo da clave pobre/rico? O que está havendo? Isso é sintoma de quê? É uma situação normal e eu preciso me acostumar com ela ou não é normal? Tenho que combater a criminalidade? Se não, devo aceitá-la, por ela vir da pobreza que se não for eliminada, continuará sendo fonte de violência? Se sim de que modo? É comum atribuírem nossos problemas ao policiamento inadequado. Outros, mais comuns ainda, à fome, à pobreza, à injustiça social… Afinal, o que há?
Acredito que eu não conseguirei tratar com certeza do assunto do policiamento porque não tenho informações suficientes. Não tenho como dizer que os policiais são incompetentes, vendidos, cruéis, tiranos, folgados (e outras mil coisas mais que são propagadas o tempo todo), porque não tenho informações sobre o assunto. Só o “Gabriel O Pensador” é que as têm. Se tivesse que apostar, no entanto, diria que isso aí é falso, e que os policiais têm de ser ajudados pela população e por seus superiores, com mais orientação, condição de trabalho e apoio moral.
Os policiais têm de ser defendidos pela população. Sim, foi isso mesmo que eu disse. É um paradoxo aparente. Precisamos defendê-los no campo cultural, propagandista e artístico, além de colaborar com suas operações, oferecendo informações e chamando-os quando necessário. Eu os defendo dos apologetas dos direitos humanos, que são amigos dos bandidos. Eu os defendo dos jornalistas oportunistas e ativistas políticos que adoram macular a imagem das nossas forças policiais. Defendo-os também dos ideólogos de esquerda que adoram defender aqueles que põem armas em minha cabeça, afinal, eles são coitadinhos, e sou um explorador nojento, mesmo não tendo um puto no bolso. Não consigo conceber nenhuma possibilidade de desenvolvimento da sociedade se a segurança estiver tão ameaçada. O primeiro remédio que deve ser dado neste caso de calamidade social é, a meu ver, o reforço contra o banditismo. Não há liberdade coisa nenhuma num lugar onde ninguém pode circular com tranqüilidade, onde comprar pão na padaria é perigoso, onde as operações policiais são sempre tachadas de erradas. As crianças têm de sentir segurança quando os policiais estão por perto, e de ver neles um signo de heroísmo e coragem.
Outro dos maiores inimigos da sociedade como um todo, e dos policiais também, é o ideal socialista. Utópico por natureza, é capaz de matar, destruir, criminalizar, prostituir e de fazer mais um monte de barbaridades por onde passar, tudo em nome de uma sociedade melhor (sic) que nunca acontece, pois o que acontece são seus processos de matanças, aumento da fome, do desespero, do subdesenvolvimento, de crenças ateístas que destroem o sentido de vida de incontáveis pessoas que só vão encontrar algum alento no suicídio. Um pequeno exemplo concreto relaciona-se com as pracinhas feitas com a intenção de “tirar os jovens das drogas e levá-los ao esporte”. As que conheço foram feitas no tempo em que o PT estava à frente dos Governos Municipais. Com a idéia de que o esporte dá mais razão à vida de jovens sem recursos, foram criados esses centros de formação de bandidos. O esporte só corrige desvios na medida em que a vida das pessoas passe a girar em torno do esporte e das conquistas advindas deles, assim como qualquer profissão o faria. Jamais um futebolzinho na praça pode corrigir rumos equivocados. A idéia é furada. São antros de drogados, marginais, traficantes e mais um monte de espécimes estranhas, além de um ou outro de bem perdido ali no meio. Tudo o que vem da utopia socialista é mentira, e sua ação é um tiro ao alvo injusto, afinal o tiro sempre sai na direção dos que cumprem com seus deveres e não têm nada a ver com bandidagem. Toda a população acaba vítima desse tipo de sujeira. Sujeira feita em nome da população.
E esse negócio de que a ladroagem ocorre por causa da pobreza é a conversa mais fiada que existe. De novo os lunáticos estimulando o crime. A Romênia e a Índia são países muitas vezes mais pobres que o Brasil e têm criminalidade desprezível. Conheço inúmeros exemplos próximos, como o do meu tio-avô que de faxineiro foi para proprietário de vários imóveis sem roubar e nem contar com a sorte, mas sim com sua competência. E as atuais ações de milícia no Rio de Janeiro, encorajadas pela população pobre contra os intoxicadores que levam toda a prole para a máfia, e não a uma vida honrada, justa e promissora.
Não me sinto nem um pouco inclinado a acreditar que eu deva esperar que políticos dêem mais verbas aos policiais para poder viver numa ordem social. Essa ordem já passou faz tempo da mera ameaça. Eu mesmo guerrearei contra o crime, contrariando essas mentiras. Quem não se revolta contra tanta brutalidade, contra essa violência iminente pela qual estamos sujeitos a sofrer dia-a-dia, é covarde. Esse tipo de violência crua, sem um mínimo de consideração e sentimento, não é fruto da pobreza, e nem somente da crueldade e psicopatia espontânea de certos assassinos, mas de idéias que nos fazem conviver com essas coisas, que incitam a atitudes extremistas, que pervertem a moral, os bons costumes. Tenho esperança de que a coragem apareça nos corações de meus concidadãos para que possamos combater juntos, e pensar em métodos eficazes para fazê-lo, contra essas condições tristes, profundamente violentas, urgentes, e que são nada mais do que a nossa lamentável realidade cotidiana.