Um dos meus anelos é o de morar numa nação digna de ser chamada assim. Sinto-me muito distante dessa realidade e posso enumerar um milhão de motivos. Não há comparação possível do Brasil com outra das grandes nações do mundo que não me deixe envergonhado. O fanatismo por um esporte, umas batucadas tribais numa época do ano e o caso fortuito de ter nascido dentro do mesmo limite geográfico dão a característica definitória do brasileiro. Não há nada além disso. Um único traço sequer de força de espírito aparece por aqui.
Visitei apenas dois países além do Brasil, com pouco tempo de colher dados de observação para uma comparação bem-feita. Países da América Latina. Na Argentina (tão odiada Argentina) tem livrarias incomparavelmente mais completas do que as brasileiras. Seu povo é muito mais culto.
Os representantes deste país estão sujos de mau-caratismo até o limite do irreversível. Há agrupamentos se aproveitando de brechas legais, astuciosamente criadas, para fazer crescer um governo alheio ao Estado de Direito. O Estado de Direito é uma piada sem graça. A sociedade civil não está num acordo razonado, fruto de lutas mentais que objetivam o melhor a todos, mas sim com uma palhaçada, uma mentira institucionalizada que deixa muitos inseguros e atônitos. Quase nenhum brasileiro sabe o conteúdo de sua Constiuição e nem os porquês da opção por tais e tais princípios jurídicos. Pior, muitos bacharéis em Direito também estão nesse estado. O brasileiro ordinário não tem espiritualidade própria, vive de uma falsa bondade, calcada em quimeras. Aqui não há mecanismos de defesa eficientes, em nenhum sentido. O nacional daqui não tem consciência moral, e se a tem numa ínfima proporção, já teve sua dignidade moral devastada por ondas constantes de cobranças desleais, hipócritas e desumanas. Aqui não há homens fortes que, com sua iniciativa, ergueram nações inteiras dos mais porcos estados aos mais nobres. Parece ser um aglomerado de erros infindáveis.
Isso não é pessimismo nem lamentação. É uma tentativa de descrever o que sinto dia-pós-dia vivendo aqui. Gostaria de saber o que tenho que fazer diante de tudo isso, ou se não há nada para mim dentro disso. Não quero ser mais uma alma reclamona, mas uma alma que percebe o que há em torno, e que faz o que Ele quer que seja feito diante disso tudo.
Se me pedissem para dizer em poucas palavras o que há e o que se deve fazer, eu diria: Nós, brasileiros, estamos desorientados, desmoralizados, emburrecidos. Não há outro caminho que não o da inteligência. Neste caminho se acha a orientação espiritual, a conquista da moralidade e do verdadeiro saber.
Enquanto isso, em terras germânicas, o time brasileiro de futebol perde, num campeonato mundial do esporte dito “o mais popular do mundo”. Esporte tomado por motivações e divulgações de pensamentos muito “supimpas”, advindos da ONU, aquele negócio que tem um monte de gente colorida. Por aqui só se fala disso: Perdemos por causa de banhas, por causa de falta de vergonha na cara, por causa de burrice do técnico, por uma espécie de “mensalão francês”, por excesso de fama, glória e grana etc. Há analistas em todos os cantos tratando de desvendar as mais remotas causas de nossa vergonha futebolística. É lamentável pensar que alguém supôs que, neste post, eu trataria disso e não daquilo que tratei. Não é culpa do que supôs, afinal, só se fala disso. Neste país, o senso das proporções é virtude escassa, quando deveria ser condição de vida normal. O Brasil está derrotado.
Abril 18, 2007 at 11:24 pm
Acho que é uma ponto de bista arguto. Realmente, eu tembé acredito que “não há outro caminho que não o da inteligência”. E é por este caminho que deve ser proposta a reação anti-revolucionária. Um artigo nos Blogs Coligados: “Como Fazer a Revolução Liberal” analisa a questão justamente por este prisma. Embora seu autor seja desconhecido eu me identifico muito com ele.