Julho 2006


Introdução

O presente texto é uma incursão no campo da auto-ajuda. Não no sentido pejorativo do termo, mas em seu sentido próprio. Trago os resultados de minha observações, experiências e estudos, condensados em breves indicações aos interessados em lograr êxito neste setor da vida, a saber o namoro como condição pré-matrimonial, que nos apresenta tantas e tão difíceis e constantes provações.

É uma versão editada da primeira que fiz e distribuí a amigos. Não quero que se entenda que esta é, necessariamente, minha estática e imutável tábua de valores em se tratando desse assunto. Sempre, sempre que algum elemento de juízo supere minha concepção, eu modificarei meu pensar e proceder.

A expressão literária é um tanto densa. Tentei focalizar os elementos estruturais e lançá-los, um a um, com escassos comentários, mas com as explicações básicas. A intenção é fomentar a reflexão acerca do assunto. Digitar tudo como eu entendo, com um excesso de informações, pode acabar por aumentar o número de erros, e tirar o convite à AUTO-ajuda, ficando como um agrupamento de conselhos, muitas vezes, ineficazes.

Ratio Agendi:

  • Das duas demandas num mesmo dia, e das (muito) freqüentes demandas nos últimos tempos por esclarecimentos maiores sobre esse tema.

Modus Ratiocinandi:

  • Levar em conta o pensar e o sentir – sentir mais no momento de escolha do parceiro, pensar durante o relacionamento em estado de contemplação amorosa, sentir de novo, agora com toda a consciência do amor edificado;

  • Da possibilidade de ordem hierárquica na apresentação dos elementos - pode haver uma hierarquia que me escapou ao apresentar os elementos. Se algum leitor quiser ajudar, agradeço. Minha única observação é a do nº1 como o inferior, afinal, os valores estéticos são superados pelos outros apresentados aqui;

  • Da qualidade mutável do exame dos elementos segundo uma visão transcendente ou intranscendente (principalmente o 2º elemento, já que os outros são mais auto-explicativos).

Tábua dos Elementos

  1. Exigência estética. Senso estético. Aceitação estética. Não havendo esse deleite estético, ou no mínimo aceitação, haverá incômodos constantes, já que viverão juntos.

  2. Afinidade de projetos de vida. [Admite gradações de intensidade e de qualidade] Se os propósitos são inconciliáveis, não se deve enamorar. Isso num sentido amplo, abrangente, não só no profissional, por exemplo.

O elemento 2, principalmente, pode [deve] existir, num determinado grau e de um jeito específico nas amizades. Se ele muda de qualidade, e atende às exigências seguintes, deve-se enamorar. Por qualidade entende-se o planejamento de um implicando a vida do outro e vice-versa. A intensidade não converte amizade em enamoramento necessariamente, sendo ótimo para a amizade a intensa comunhão de planos de vida.

  1. Homem é Homem e Mulher é Mulher. Que os exemplares de cada um dos gêneros sejam empenhados em cumprir seus respectivos papéis. Ex: Instintos e peculiaridades psicológicas (homem primitivo – espalhar sementes, defender, caçar, prover, predominância mental / mulher primitiva – selecionar o macho ideal, cuidar da prole, administrar o domicílio, predominância sensível). N
    ão há lugar, do ponto de vista do namoro dentro da razão de ser da existência universal, às predileções eróticas ho
    mossexuais. Como na tela em que Virgílio acompanha Dante no Inferno, penso que isso só serve ao rebaixamento moral, ao dano das fibras energéticas que nos leva à mais crua escravidão espiritual. E o senhor é o Chefe dos Infernos.

  2. Contemplação amorosa, que forçosamente será seguida da consciência da relação de real e ideal. Morte do príncipe encantado (que se mostra sapo, e exige o beijo da princesa) e da bela adormecida (que deve se tornar bela acordada, se tornar princesa e beijar o sapo). Nasce a intimidade com a realidade o que permite o forjar e, do avanço, o polir. No início deve-se querer ver cada vez mais o que é a pessoa, sem desejar que ela venha a ser nada, antes de se ter uma idéia mais real do ser. Depois disso, pode vir a idéia de um dever-ser, pois será lícito, acordável, realizável e deverá ser louvável.


  3. Edificação mútua. Martelo e buril erguidos por ambos, em mútuo acordo, para o crescimento integral. Os arquétipos eleitos como ideais a serem incorporados vão se atualizando na vida matrimonial por meio da ajuda que um presta ao outro. Examinar o que é mutável e o que é imutável, e, posteriormente o que é perfectível e o que não o é. Nesse pé, laborar, estudar, e tentar seguir as orientações espirituais ao máximo. [Como na máxima monástica – Lege, relege, ora et labora]

Suportar com paciência as batalhas perdidas na guerra pelo aperfeiçoamento. Se há intenção, vontade, e trabalho no sentido correto, os erros devem ser relevados, trocando o pessimismo pelo mais enérgico otimismo, enquanto houver o acordo.

  1. Desapego calcado na concepção do individual. O processo de acercamento a Deus por meio do [1.] companheirismo e do [2.] engendro de uma família (Vide Gênesis) deve ser a finalidade. E não uma ligação com idéias efêmeras que se pretendem eternas. Eterno é o enlace com o Criador, e a esse ambos devem se dedicar e servir. Fora disso, é escuridão, erro, burrice, morte, ciclos intermináveis (samsara) e não evolutivos, etc. O companheirismo prescinde da reprodução, sendo a razão de ser dos namoros entre os que não querem ou não podem fazer família.

Esclarecimentos Finais

Espero que o meu propósito, qual seja o de suscitar a reflexão profunda acerca do namoro e do matrimônio nos leitores amigos, se cumpra com excelência. Não quero, nem posso, esgotar o assunto. Quero mostrar que há possibilidade de se extrair muito daí, não em termos unicamente especulativos, mas num sentido vital, em que vida e texto se fundem no autor.
Meus melhores votos aos guerreiros que se inspirarem em algo que coloquei aqui, nem que seja para rebater tudo!
Para finalizar, venho dizer que dedico este texto à minha dama, a quem sinto profundo afeto e gratidão.

Um dos meus anelos é o de morar numa nação digna de ser chamada assim. Sinto-me muito distante dessa realidade e posso enumerar um milhão de motivos. Não há comparação possível do Brasil com outra das grandes nações do mundo que não me deixe envergonhado. O fanatismo por um esporte, umas batucadas tribais numa época do ano e o caso fortuito de ter nascido dentro do mesmo limite geográfico dão a característica definitória do brasileiro. Não há nada além disso. Um único traço sequer de força de espírito aparece por aqui.

Visitei apenas dois países além do Brasil, com pouco tempo de colher dados de observação para uma comparação bem-feita. Países da América Latina. Na Argentina (tão odiada Argentina) tem livrarias incomparavelmente mais completas do que as brasileiras. Seu povo é muito mais culto.

Os representantes deste país estão sujos de mau-caratismo até o limite do irreversível. Há agrupamentos se aproveitando de brechas legais, astuciosamente criadas, para fazer crescer um governo alheio ao Estado de Direito. O Estado de Direito é uma piada sem graça. A sociedade civil não está num acordo razonado, fruto de lutas mentais que objetivam o melhor a todos, mas sim com uma palhaçada, uma mentira institucionalizada que deixa muitos inseguros e atônitos. Quase nenhum brasileiro sabe o conteúdo de sua Constiuição e nem os porquês da opção por tais e tais princípios jurídicos. Pior, muitos bacharéis em Direito também estão nesse estado. O brasileiro ordinário não tem espiritualidade própria, vive de uma falsa bondade, calcada em quimeras. Aqui não há mecanismos de defesa eficientes, em nenhum sentido. O nacional daqui não tem consciência moral, e se a tem numa ínfima proporção, já teve sua dignidade moral devastada por ondas constantes de cobranças desleais, hipócritas e desumanas. Aqui não há homens fortes que, com sua iniciativa, ergueram nações inteiras dos mais porcos estados aos mais nobres. Parece ser um aglomerado de erros infindáveis.

Isso não é pessimismo nem lamentação. É uma tentativa de descrever o que sinto dia-pós-dia vivendo aqui. Gostaria de saber o que tenho que fazer diante de tudo isso, ou se não há nada para mim dentro disso. Não quero ser mais uma alma reclamona, mas uma alma que percebe o que há em torno, e que faz o que Ele quer que seja feito diante disso tudo.

Se me pedissem para dizer em poucas palavras o que há e o que se deve fazer, eu diria: Nós, brasileiros, estamos desorientados, desmoralizados, emburrecidos. Não há outro caminho que não o da inteligência. Neste caminho se acha a orientação espiritual, a conquista da moralidade e do verdadeiro saber.

Enquanto isso, em terras germânicas, o time brasileiro de futebol perde, num campeonato mundial do esporte dito “o mais popular do mundo”. Esporte tomado por motivações e divulgações de pensamentos muito “supimpas”, advindos da ONU, aquele negócio que tem um monte de gente colorida. Por aqui só se fala disso: Perdemos por causa de banhas, por causa de falta de vergonha na cara, por causa de burrice do técnico, por uma espécie de “mensalão francês”, por excesso de fama, glória e grana etc. Há analistas em todos os cantos tratando de desvendar as mais remotas causas de nossa vergonha futebolística. É lamentável pensar que alguém supôs que, neste post, eu trataria disso e não daquilo que tratei. Não é culpa do que supôs, afinal, só se fala disso. Neste país, o senso das proporções é virtude escassa, quando deveria ser condição de vida normal. O Brasil está derrotado.