Maio 2006


O Brasil encontra-se em um de seus estados mais calamitosos. Muita gente decepcionada, muita gente cheia de idéias para resolver tudo, mas mais gente ainda desnorteada, sem saber o que pensar nem o que fazer. Esse momento é a chave para uma elevação. Refletem, neste momento, até pessoas que vivem de modo irreflexo quase o tempo todo. Levando em conta a hegemonia cultural de um só lado da moeda, e a quase chegada da Copa do Mundo, já sei que elevação não ocorrerá.
Eu, de minha parte, resolvi pensar mais detidamente sobre o assunto, e não fui muito longe por falta de capacidade. Formulei uma hipótese, no entanto. Muita gente está chegando num estado que, condensado numa frase, ficaria assim: — Oh! E agora quem poderá me ajudar? — É possível que o leitor tenha respondido imediatamente com um: — Eu!!! O Chapolim Colorado! Não contavam com minha astúcia!! — Aí está expressa minha hipótese. Quem será o Chapolim eu não sei muito bem, mas estão prontos para recebê-lo. Y no olviden, no! Ciertamente será mucho, mucho colorado!

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Cansei-me da absoluta profanação que fazem com a palavra Filosofia, tão cara a mim. Parece que todo professor de Filosofia começa por dizer aos seus alunos, e a quem quer que lhe dê ouvidos, que ela significa “amor à sabedoria”. A realidade de quem fala é tão distante do conteúdo vivencial destas palavras que aluno nenhum dá bola pra isso, colocando as coisas em seus devidos lugares, por ignorância dos dois lados. Parece tão, tão bonitinho, meigo, charmoso, dizer que se ama a sabedoria ou que se é amigo dela. Mas que raio de amor é esse? Como isso se dá?
Disse a uns amigos que isso se vivencia e que podemos experimentar isso. Amor à sabedoria é fácil falar, mas como sentir e ter isso inscrito no viver de cada dia? Como apreender esse conteúdo nos primeiros contatos com o saber magno?
Pautar a vida pelo caminhar de certeza em certeza – a ascensão na escalaridade das certezas – buscar sempre o que há de mais verdadeiro, mesmo que isso seja somente um sentimento íntimo, uma simples apreensão das coisas como elas são ou uma súbita descoberta que surge fulgurante ao olhar observador, é um estágio do viver Filosofia.
Esses professores devem sentir tesão pela sabedoria. Vivem de decorar trechos de pensadores e citá-los e citá-los sem nenhuma experimentação daquilo que se lê. Tratam os textos como o fundamento de tudo, as linhas, as palavras… É uma conjunção carnal com os textos. Talvez pensem que essa putaria toda acaba chegando na sabedoria. Logo ela, que traz tantos inconvenientes aos que se lhe aproximam, vide Sócrates, o arquétipo do que ora digo. O que ela pode fazer por nós é libertar-nos de prisões internas, das nossas mais ferozes escravidões. Pode nos levar à vida contemplativa, e, quem sabe, até a santidade. Mas não! Querem levá-la ao motel. Esses são nossos sacerdotes!

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É muito mais próximo da realidade brasileira pensar em levar uma deusa à cama do que em aprender as virtudes divinas com ela. A ação conjunta dos nossos sacerdotes com o Chapolim é de amedrontar!!!

Conversando com um amigo, o Carlos, refletimos: Mais vale o Brasil ser invadido pelos EUA, ou voltar ao domínio português? Melhorar via intervenção estadunidense ou via revogação da independência?

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Honra, habilidade e estratégia militares, inteligência e fidelidade num só sujeito!
Parece coisa doutro mundo? Ou de aulas de religião? Palavrório de malditos hipócritas?
Não acho! Eu vi tudo isso aí em ação hoje!
Ãhn, onde vi? Em atitudes de amigos? De professores? De policiais? Em algum livro sobre um Santo? BraveHeart?
Não, num filme de bang-bang. Tava assintindo ao O Dólar Furado e pensei que estamos com falta de tipos como O’Hara.

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Depois de anos querendo ler alguma história de Sherlock holmes, consegui finalmente realizar tal intento. Gostei da história – O Cão dos Baskerville -, do incentivo ao raciocínio dedutivo, à sagacidade. Achei o personagem singular, muito interessante, embora não “fascinante”. Fiquei com vontade de fumar aquele fumo forte do charuto dele!
Confesso que esperava mais do personagem, que não era tão sábio. Depois volto ao assunto.

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De novo falando com o Carlos, lamentamos o fato do Mário Ferreira dos Santos ser branco e heterossexual. É preciso uma revitalização nos estudos da obra dele. É a maior do Brasil. Se ele fosse negro ou bicha, parece que tudo estaria devidamente divulgado e preparado pra publicação. Pergunto-me se não vão abrir algum tipo de instituição em defesa dos gordos.

Estreei como colaborador no blog de um amigo.
O blog se chama Budô e o amigo Moreno. O blog era dele, mas eu me senti tão afim àquelas reflexões que abriria um semelhante. Depois de falarmos sobre, chegamos a um acordo e acabei me juntando ao blog dele. Reuniremos lá nossas anotações acerca do aprendizado no Caminho das Artes Marcias. Ele já escreve lá há anos. Estou esperançoso! Esse intercâmbio marcial tem tudo para enriquecer o aperfeiçoamento dos dois aprendizes e dos que participarem lendo, comentando ou conversando conosco sobre. O recado era esse.

Abraços e obrigado por ler!