Assisti, finalmente, ao filme que meus amigos tanto queriam que eu assistisse: Star Wars. Pretendo analisar os símbolos mais gritantes presentes no filme. Para isso farei uma breve análise. É breve porque dormi em alguns trechos do filme, me distrai noutros e deixei de ler legendas noutros por causa da sonolência. E também, porque estou caindo de sono nesse exato momento, está tarde, e tenho aula de Kendo amanhã cedo.

Vi ali uma apologia da religiosidade tradicional. Fortes eram os que tinham contato com a força, o que parece óbvio ao leitor chatão que não sabe que força é um termo técnico nesse caso. A força representa o contato com o que há de mais elevado, com a causa criadora, motriz e sustentadora do universo. É uma (ou a) via de contato com a divindade, com as energias regentes do cosmos.

O doidinho que tinha nome estranho e era o melhor ator do filme, era um eremita, que na certa, viveria calado, solitário e sem grande projeção social se não lhe fosse mostrado que havia um perigo iminente de dimensões catatróficas, e que ele poderia ajudar. Ele era forte. Do outro lado, havia o lado negro da força, que era a única contraposição possível à força do lado puro. Todo o resto é diminuto perto disso aí.

Há um diálogo onde um sujeito cético, cientificista, tecnólogo desafia Darth Vader, o “rei” dos malvados, zombando da força e da religião antiga. Ele é esganado por algo que ele nem via, e sentiu o poder da coisa. A tecnologia, os poderes dos inventos mais extravagentes feitos pela ciência, são mostrados como inferiores, insuficientes e eu diria até que insignificantes perto da tradição espiritual. Tudo era um monte de aparatos e tranqueiras que se rebaixavam à força – o poder da antiga religião. Sempre foi assim, é assim, e sempre será. Não importa se o mundo está mais ou menos emperequetado. O Império foi dominado e foi salvo por aqueles que tinham relação com a tal da força. Fora das sagradas tradições de guerreiros, guerreiros-magos e magos puros não há verdadeiro poder.

Como afirmei no início do texto, o poder poderia não ter sido exercido na esfera política, mas o foi por causa de emergência. O poder não está na política, que é um tipo de poder que será controlado pelos que dominam outro poder. Refiro-me à danada da força.

A força representa as tradições, a cultura interna e espiritual, transmitida por sucessão discipular, e não por populistas, estadistas ou pela TV Cultura. É cara a cara. O que sabe e o que quer aprender. Erros são cometidos, mas o mestre nunca é a Perfeição. Há a falibilidade do mestre, pois ele sempre é o símbolo de Deus, o signo do que há de mais alto na realidade, do espírito. Mas não passa de um símbolo.

O discípulo é a alma, mais ou menos obediente ao espírito, que no entanto, pode ser tentada e sucumbir às tentações dos reinos inferiores, mesmo depois de muito cultivo de virtudes de não tão alta estirpe. Estas são as habilidades e proezas aprendidas por causa do cultivo espiritual, mas que se usadas para fins malévolos, perdem sua razão de ser. A conquista do conhecimento da razão de ser das coisas é uma virtude de mais alta estirpe. Alto é seguir o Dever Moral, o Dharma. O que faz isso está com a força. O que usava a força para fins ignóbeis, tinha se aproximado do espírito num dado momento da sua vida, e por isso, repito, conquistou certos poderes e uma visão ampla, mas assim que caiu, perdeu a noção de realidade, que o fez lutar contra o que o sustentava e lhe dava a vida. A força.

Como ensinava o O-Sensei Ueshiba, aquele que está em harmonia com o universo, indo a favor dele e respeitando suas Leis, já venceu a batalha antes dela começar. O Universo vai para onde o seu Criador quis que ele fosse. Os poderesinhos, a espada de festa rave e aqueles trambiques que fazem barulho no vácuo são parafernálias dispensáveis aos verdadeiros seguidores da força.

Acho que já é suficiente.