Fevereiro 2006


Um problema grave do brasileiro ordinário é sua capacidade de se fazer entender num discurso oral ou verbal. Desde menino tenho interesse em desenvolver essas habilidades, e penso ter certa facilidade para falar e escrever, em público ou para o espelho. Tenho a intenção de, neste texto, organizar e explicar algumas dicas de redação que aprendi ao longo das minhas leituras, conversas com estudiosos e experiências. Faria isso só para meu arquivo pessoal, porém alguns amigos interessados, ou, não tão amigos mas igualmente interessados, podem se beneficiar se eu publicar. Então, assim o faço.

Em síntese, a técnica suprema para aprender a redigir consiste em ler obras que expressem a sabedoria universal, entendê-las no conteúdo e imitá-las na forma. Ah, é preciso saber gramática. A seguir, vou tentar analisar o que expressei nesse parágrafo.

Uma técnica que já beneficiou muita gente é a de ler muito. Conforme lê, grava em sua memória pictória a grafia correta e erra incomparavelmente menos do que se não lesse, embora continue errando. Ler mais é sim o primeiro passo, mas não é suficiente.

O segundo passo é a escolha do que ler. Se o sujeito resolve passar a ler mais para futuramente ser um advogado ou magistrado que escreva bem, não poderá se contentar em ler “Pato Donald”, “O Demolidor”, ou o caderno de esportes de um jornal. Terá de ler algo que aproveite mais recursos do idioma. Para escolher, não é aconselhável se distanciar muito do interesse pessoal em detrimento de textos mais complexos. Isso não garante o aprendizado mais rápido. Pelo contrário, atrapalha.

Sendo o sujeito um seguidor da doutrina espírita, penso que o mais indicado seja começar pelos romances psicografados. Mas, eles não bastarão. O melhor mesmo é ler Allan Kardec. Se for um cara interessado em política, é interessante que leia os livros de Ciência Política, ou de Teoria Geral do Estado. Isso não é tão simples. Ler o que interessa pode não elevar uma pessoa da leitura de cardápio.

É preciso objetivar a superação constante. Se se começa por ler romances simples ou best-sellers profundos como são os pires, será imperiosa a necessidade de adiantar-se para as obras mais complexas, sob pena de escrever num estilo viciado: feio, pedante, impreciso, imbecil. É como o guitarrista que ao invés de tentar imitar Van Halen, ou Steve Vai, fica imitando a vida inteirinha os Ramones, ou Greenday. Se precisar compor, vai fazer algo no mesmo nível ou pior do que as porcarias que imita. Com a escrita é a mesma coisa. É preciso sempre avançar.

Há livros universalmente recomendáveis. A maioria eu coletei de listas de indicação dadas pelos filósofos Mário Ferreira dos Santos, Olavo de Carvalho, Mortimer Adler e de alguns professores que tive. Procurarei indicar os que já tive contato para que eu não me afaste da minha experiência. São o “Livro da Sabedoria” o os “Provérbios” de Salomão, “Xogum” de James Clavel, “Musashi” de Eiji Yoshikawa, as obras aforismáticas de Nietzsche como “Gaia Ciência” (todo cuidado é pouco), “Tao Te King” do Lao-Tsé, “Pensamentos” de Pascal, “Apologia de Sócrates” de Platão, “Hamlet” de Shakespeare, “O senhor de Sándara” de Carlos Gonzáles Bernardo Pecotche, etc.

Até agora eu tratei de criatividade, de enriquecimento da mentalidade, de embelezamento e sublimidade no desenvolvimento de um tema. Porém, há a necessidade de fazê-lo atendendo às exigências da língua vernácula. Mais uma vez, insisto no estudo da gramática que por si só, não basta. Deve-se criar um estilo e um modo de usar a língua, no caso a portuguesa, de modo a expressar as mais variadas manisfestações naturais e espirituais, os mais diversos sentimentos e pensamentos com exatidão e precisão. O caso é de ler e imitar os melhores escritores, e dentre eles, dois dos principais são Camões e Machado de Assis.

Parece que complicou, né? Não complicou coisa nenhuma. Vou sintetizar novamente, agora, de outra maneira:

     

  1. Aumentar a quantidade de leituras;

     

  2. Escolher as leituras com base nos critérios:

    a) Interesse;

    b) Superação constante;

    c) Contato com a sabedoria universal;

    d) Beleza e sublimidade na língua vernácula;

     

  3. Procurar imitar o que foi admirado nas leituras;

     

  4. Sempre tirar as dúvidas de gramática, sempre.

Assisti, finalmente, ao filme que meus amigos tanto queriam que eu assistisse: Star Wars. Pretendo analisar os símbolos mais gritantes presentes no filme. Para isso farei uma breve análise. É breve porque dormi em alguns trechos do filme, me distrai noutros e deixei de ler legendas noutros por causa da sonolência. E também, porque estou caindo de sono nesse exato momento, está tarde, e tenho aula de Kendo amanhã cedo.

Vi ali uma apologia da religiosidade tradicional. Fortes eram os que tinham contato com a força, o que parece óbvio ao leitor chatão que não sabe que força é um termo técnico nesse caso. A força representa o contato com o que há de mais elevado, com a causa criadora, motriz e sustentadora do universo. É uma (ou a) via de contato com a divindade, com as energias regentes do cosmos.

O doidinho que tinha nome estranho e era o melhor ator do filme, era um eremita, que na certa, viveria calado, solitário e sem grande projeção social se não lhe fosse mostrado que havia um perigo iminente de dimensões catatróficas, e que ele poderia ajudar. Ele era forte. Do outro lado, havia o lado negro da força, que era a única contraposição possível à força do lado puro. Todo o resto é diminuto perto disso aí.

Há um diálogo onde um sujeito cético, cientificista, tecnólogo desafia Darth Vader, o “rei” dos malvados, zombando da força e da religião antiga. Ele é esganado por algo que ele nem via, e sentiu o poder da coisa. A tecnologia, os poderes dos inventos mais extravagentes feitos pela ciência, são mostrados como inferiores, insuficientes e eu diria até que insignificantes perto da tradição espiritual. Tudo era um monte de aparatos e tranqueiras que se rebaixavam à força – o poder da antiga religião. Sempre foi assim, é assim, e sempre será. Não importa se o mundo está mais ou menos emperequetado. O Império foi dominado e foi salvo por aqueles que tinham relação com a tal da força. Fora das sagradas tradições de guerreiros, guerreiros-magos e magos puros não há verdadeiro poder.

Como afirmei no início do texto, o poder poderia não ter sido exercido na esfera política, mas o foi por causa de emergência. O poder não está na política, que é um tipo de poder que será controlado pelos que dominam outro poder. Refiro-me à danada da força.

A força representa as tradições, a cultura interna e espiritual, transmitida por sucessão discipular, e não por populistas, estadistas ou pela TV Cultura. É cara a cara. O que sabe e o que quer aprender. Erros são cometidos, mas o mestre nunca é a Perfeição. Há a falibilidade do mestre, pois ele sempre é o símbolo de Deus, o signo do que há de mais alto na realidade, do espírito. Mas não passa de um símbolo.

O discípulo é a alma, mais ou menos obediente ao espírito, que no entanto, pode ser tentada e sucumbir às tentações dos reinos inferiores, mesmo depois de muito cultivo de virtudes de não tão alta estirpe. Estas são as habilidades e proezas aprendidas por causa do cultivo espiritual, mas que se usadas para fins malévolos, perdem sua razão de ser. A conquista do conhecimento da razão de ser das coisas é uma virtude de mais alta estirpe. Alto é seguir o Dever Moral, o Dharma. O que faz isso está com a força. O que usava a força para fins ignóbeis, tinha se aproximado do espírito num dado momento da sua vida, e por isso, repito, conquistou certos poderes e uma visão ampla, mas assim que caiu, perdeu a noção de realidade, que o fez lutar contra o que o sustentava e lhe dava a vida. A força.

Como ensinava o O-Sensei Ueshiba, aquele que está em harmonia com o universo, indo a favor dele e respeitando suas Leis, já venceu a batalha antes dela começar. O Universo vai para onde o seu Criador quis que ele fosse. Os poderesinhos, a espada de festa rave e aqueles trambiques que fazem barulho no vácuo são parafernálias dispensáveis aos verdadeiros seguidores da força.

Acho que já é suficiente.

Percebi que alguns dos modelos seguidos pelos meus compatriotas com mais fervor são dois energúmenos. Mick Jagger e Bono Vox são seus nomes. Um velho que fez questão de manter todas as idiotices de seu tempo de juventude e um pacifista militante que pensa entender de geopolítica brasileira só porque comeu com o Sumo Ignaro. Não cantam nada e só falam e fazem asneiras. O segundo, está cotado até para o Nobel da paz. Certamente, os que o indicaram não pensaram nisto.
É de lamentar a idolatria a tipinhos como esses.

O fator mais importante para o desenvolvimento de um povo é sua capacidade de estudo. A pátria (não a máquina estatal) deve incentivar e auxiliar o desenvolvimento dos vocacionados ao estudo com todas as suas possibilidades. Porém, o que vejo e sinto na pele, no Brasil, é uma fabricação de dificuldades ao estudioso.

Os incentivos ao cultivo do saber não existem, mas os desestímulos e a criação de dificuldades são intermináveis. Esse desejo de saber cada vez mais é raro, e quando existe na juventude, deve ser nutrido e aproveitado como uma pedra preciosa dentro de um lodaçal. É a faísca divina que aparece para iluminar a escuridão da vida de pecados. Se o jovem, por natureza já tão inclinado ao erro, não for auxiliado, incentivado e educado pelos mais experientes e pelos que têm recursos, ele cairá e deixará sua vocação. É uma desgraça, mas, factum est, só os imensamente fortes seguem sozinhos em meio aos mais indizíveis obstáculos.

Como já disse, sinto na pele o que é parecer um doudo por tentar compreender a mim mesmo, ao mundo, à vida. Pois isto é o que levanta um povo inteiro em todos os aspectos: o encontro das chaves que abrem as portas ao conhecimento das questões fundamentais. Essas respostas elevam integralmente um homem, depois um conjunto de homens, até chegar à humanidade inteira. E essas forças imensuráveis vêm das mentes de poucos, desses poucos brâmanes que se dedicam a tal elucidação.
Eu não acredito em salvação pela política, eu não acredito em ajuda estatal. Eu acredito em elevação cultural e espiritual feitas no nível individual. E pra isso, a política não pode e não deve atrapalhar.