Dezembro 2005


Posto aqui um texto que admiro há muito tempo, e penso que já deveria ter postado. Faz parte do livro “Convite à Filosofia” do Mário Ferreira dos Santos. É a antecipação para a idéia do livro. Penso que o lugar da Filosofia no panorama das ciências seja mostrado neste escrito de modo magnífico, embora seja um texto introdutório de um livro introdutório.
Lá vai:

Em suas longas e demoradas especulações através dos séculos, tem o homem constantemente perguntado. E as respostas às magnas e mais importantes perguntas, levaram-no a formular outras que se algumas vezes satisfizeram a alguns, não satisfizeram a todos e, por sua vez, provocaram novas perguntas.

Perguntou o homem sobre si mesmo: Quem sou? De onde vim? A Antropologia procura responder-lhe essa pergunta. E a Cosmologia, que estuda a ordem do cosmos, procura responder-lhe sobre a origem deste, de onde veio, qual o primeiro princípio. E vem a Teologia, ciência das coisas divinas, para discutir as razões e motivos a favor ou a desfavor da crença de Deus, o ser criador.

E se Deus existe, por que o Bem e o Mal? Por que não é diferente o mundo? E dessas perguntas, outra disciplina, a Teodicéia (de Theos, Deus, e dikê, justiça, em grego) é a quem cabe responder se há ou não justiça no mundo.

E como sabemos? E vem a Gnosiologia para explicar-nos o conhecimento.

Como se dá o saber culto? E eis a Epistemologia, que estuda o saber das diversas ciências.

E como formou o homem a sua inteligência? E eis a Psicogênese, que lhe ensinará e discutira os problemas referentes à formação do psiquismo humano. E o espírito humano, que é criador, como surgiu? E sobre esse espírito criador surge outra disciplina, a Noogênese, que estuda a gênese do nous, o espírito, e, finalmente a Noologia, a ciência do espírito.

E como funciona esse psiquismo? E eis a Psicologia, que se encarrega de propor respostas às perguntas formuladas aqui.

Mas, significam as coisas algo, dizem mais do que o fenomênico? E eis a Simbólica, que examina as significações das coisas.

E há algo mais oculto, que possamos penetrar mais profundamente? E eis a Mística, que quer responder a essas perguntas.

E as coisas são belas, apresentam em si mesmas algo que lhes dê outro valor. E então é a Estética que estudará este ponto.

E o transcendente? Poderemos alcançar o que está além de nós, além da nossa experiência? E eis a Metafísica Geral, a Ontologia, para responder-lhes a tais perguntas.

E como se dão os fatos no universo? E temos a Ciência, que procura explicar o nexo do acontecer dentro de si mesmo, em sua imanência, no seu mana em, dentro de si, nas coisas experimentáveis.

E como medir os fatos e contá-los? E surge a Matemática.

E como compreender o homem em suas relações com os outros? E a Ética, a Moral, o Direito, a História e a Sociologia propõem-lhes respostas.

E como compreender o nexo dos pensamentos e usá-los da melhor maneira para atingir uma iluminação, que nos mostre mais nitidamente os fatos? E eis a Lógica e a Dialética.

E como explicar tudo isso, dar o nexo a tudo, juntar todo conhecimento humano, e analisá-lo num grande corpo, num grande saber, que seja o saber de tudo, que seja o saber dos saberes, e…

Eis a Filosofia.

Se eu passei a me dedicar mais ao Direito do que às minhas outras ““paixões”” intelectuais e espirituais?
Não. De jeito nenhum! Estudos de Logosofia, Filosofia e Religião continuam em primeiro lugar. Jamais priorizarei algo em detrimento do auto-conhecimento, do conhecimento do Criador e de Sua Suprema Vontade.

Há mais ou menos um ano, adentrei num novo ambiente de estudos, não só físico, mas, principalmente, mental [Que negócio truncado. Muitas vírgulas, mal escritor!]. Estou conhecendo um mundo novo de estudos e investigações, o mundo da ciência da normatização da convivência humana.

Jurisprudência! Oh, velha Jurisprudência (uso o termo no sentido clássico)! Estamos nos tornando amigos. Ela não é assanhada, custa a dar intimidade. Talvez, não seja tão recatada quanto sua mãe, a Filosofia. Esta, mãe de tantos filhos… Mesmo sendo tão polida é tratada com desdém. As ciências que não tratam de causas tão remotas costumam tê-la por metida, fraca, incerta, lunática… Parece até que são filhas de uma vagabunda barata! Filhas desnaturadas!! Não conseguem nem admitir a magna herança materna. Com este exemplo de burrice, se pretendem mais aptas a falar em nome da Sabedoria! Bem, chega de digressão. Voltemos à Jurisprudência!

Antes de começar a internar-me em estudos aprofundados de Doutrinas, Códigos ou de Tratados, pensei ser preciso saber que porra estou fazendo neste Curso de Direito, o que ele é, que diabos eu espero dele no meu futuro, etc. Isso tem tomado um tempo mental incalculável. Mas, as respostas atingidas até o presente não são tão complexas. Talvez, volte a falar disso depois. Agora não quero.

O importante é que já estou com respostas satisfatórias, e, por conseguinte, estou lendo Doutrinas, Códigos, Tratados…

A mudança dos temas de estudo, e das preocupações intelectuais impediu-me de escrever algo adequado à publicação aqui, ao menos, a meu ver. Porém, não é só. Não mesmo! A percepção constante de que quase tudo está incerto no meu odenamento mental, me impele a dizer menos e estudar e pensar mais.

A consciência de que este espaço serve para que eu ensaie a escrita regular, apresente resultados de reflexões e estudos, coloque ao julgamenteo de colegas e amigos certos pensamentos, me deu forças para voltar ao movimento no blog. Em meio a diversas tentativas frustradas de reativá-lo, consigo agora com a ponderação sobre os motivos da estagnação.

Espero ser constante, e trazer logo resultados de meus esforços para compreender a Ciência Jurídica.

Depois de mais de três meses sem postar, venho pedir escusas aos que acompanham as novidades deste blog. Estive ocupado com uma série de coisas, tendo pouco tempo de postar. Viagens, estudos, notas a recuperar… Tudo deu certo! As experiências foram muito boas.

Mas, o tempo sobrou sim, mesmo com todos esses afazeres. O que me impediu de postar minhas reflexões textuais foi também um certo senso de responsabilidade. Falei sobre isso com alguns dos amigos que lêem o que escrevo. Não há segredo. O fato é que tenho estudado mais, e isso costuma aumentar a consciência da ignorância. Socrático? Sempre que possível.