Texto baseado numa idéia que tive ao conversar com uma amiga, a Isabela Yumi, que me apresentou um modelo de educação diferente, utilizado com êxito nos EUA: o “homeschooling”. Para saber mais, há um site deveras elucidativo: http://homeschoolinformation.com/

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Filho: Por que eu tenho que ir à escola pai? Aquilo é um saco!!!

 

Pai: Para se divertir, oras! Vá zoar um pouquinho, ver os amigos, conhecer moças bonitas…

 

Filho: Meus colegas contam que os pais deles insistem nessa bobagem de que eles vão lá para aprender…

 

Pai: Filho, veja bem, lá você não vai aprender nadinha. Vão lhe dizer um monte de coisas que não tem valor nenhum, e na maioria das vezes, tudo do pior modo possível.

 

Filho: Mas por que os pais dos meus colegas não falam isso pra eles?

 

Pai: Porque eles não sabem. Por exemplo: se os filhos deles perguntassem estas coisas, eles se embananariam e responderiam impacientemente, simulando certezas que não têm. Certamente, irão dizer que os tipos como eu fazem lavagem cerebral ou algo do gênero! Não tem segredo: eles se educaram nisso aí que você bem conhece e que costumam chamar de “escola”. Eu estudava por fora na faculdade, e só ia até lá quando necessário, para conseguir o diploma sem maiores problemas.

 

Filho: Vou à escola para conseguir o quê, então, além de zoar?

 

Pai: Para conseguir se formar e estar autorizado a ir a uma universidade, para poder atuar numa profissão mais alta do que a de quem não tem diploma. Só vai adquirir a autorização social e legal; não tem nada a ver com aprender.

 

Filho: Por que não deixam as pessoas fazerem vestibular, mesmo sem formação na escola? Ué, se passarem estarão com condição de ir à universidade! Não é?

 

Pai: Não, não é filho. Aliás, deveria ser por aí mesmo, mas o vestibular não avalia direito, então precisam garantir por meio de uma papelada enorme que o sujeito está apto. Apto estará ele a dizer um monte de abobrinhas e a “pensar” tudo errado. Isso é interessante para os que governam a cultura e, por tabela, tudo o mais, pois ensinam o que querem do modo que querem. Aqueles que confiam a educação dos filhos unicamente a isso aí, não sabem nada! São uns irresponsáveis! Aprender mesmo, só em casa, com os professores que a gente escolher.

 

Filho: Mas eu não estou numa das melhores escolas?

 

Pai: Ora, numa das melhores para zoar, ver os amigos..!

 

Filho: Eu não consigo entender o que os meus colegas fazem no tempo em que eu estudo com os professores que o senhor escolheu, e no tempo em que treino artes marciais. Eles, simplesmente jogam tempo no lixo?

 

Pai: Assistem a porcarias na televisão, jogam no computador, lêem gibis, aporrinham os pais, jogam futebol e outros esportes similares, torcem para seus times etc.

 

Filho: Mas isso é chato pra burro..!

 

Pai: É sim. Pena que eles não sabem fazer outra coisa. Não podem nem vislumbrar o alcance de seu horizonte de consciência.

 

Filho: Isso eu já percebi! Por isso, não conseguem entender que a escola é imprestável, que não tem nada a ver com instrução de verdade, embora TODOS a considerem uma chatice! Pensam que sabem ler e escrever, mesmo não entendendo nada do que lêem e ouvem. Escrevem tudo tudo errado. Esquecem que logo vão precisar de muito estudo para o seu sustento físico, mental e espiritual, e que se encontrarão vazios disso no futuro!

 

Pai: É isso. Mas, não só no futuro… Já são vazios!

Desenvolva a idéia de aprender com sujeitos aptos a lhe ensinar algo de valor. E também o auto-didatismo. Aprenda a aprender, e se verá livre até dos professores que conhece aqui em casa. Atente ao fato de você poder se tornar um oásis em meio a um deserto de tanta incompreensão e vulgaridade. Coragem! Talvez, consiga sair daqui algum dia, e ir a um lugar onde valorizem mais o saber. Mas tenha sempre em mente que o ponto de apoio deve estar em você mesmo e em Deus, e não em um lugar ou em uma pessoa.

 

Filho: Que baita “responsa”..!

 

Pai: É isso que nos faz humanos, ora. Senão poderíamos ser como os cães. Não haveria necessidade de tanta parafernália. Seus professores querem lhe ensinar um monte de coisas, pra um dia você trabalhar, ganhar uma graninha, sustentar sua família, e ser tão chato, burro, hedonista, melancólico, falto de sentido como eles. Isso é uma animalidade mais sofisticada, pra não dizer vampiresco, diabólico…

 

Filho: Só falta aos professores e aos alunos irem de quatro às aulas! Hahahah.

Estudar para depois só comer, se distrair, dormir, trepar, trabalhar amargamente… Bah!!! Era melhor nascer como um avestruz! Ou como um esquilo, uma tartaruga, um tigre, um macaco..!

 

Pai: Está aprendendo…

11 Respostas to “De como educar os filhos no Brasil”

  1. Eduardo Levy Diz:

    Permita-me o palavrão: CARALHO! Lavou a alma! Sensacional, parabéns!

  2. Marcelo Gonzaga Diz:

    Esse post é definido com o clássico “Chute no saco”.
    Muito bom esse seu filho utópico! Hahahahahahahaha
    O problema agora é achar educadores devidamente treinados… Levando em consideração que todos estamos sujeitos a esse processo de emburrecimento, vai dar um trabalho danado encontrá-los…

  3. Leilah Diz:

    Oi, Rafa! Esse texto é muito real… Vi meu pai me ensinando tudo isso! Só um milagre mesmo pra melhorar essa triste realidade! Beijosss, Lê =)

  4. Isa Diz:

    Concordo com o Marcelo. E mais fácil que achar professores competentes no Brasil é educar seu filho noutro país. E, teimoso, você não deu muita importância a esse tópico da nossa conversa… chato! =P Tirando essa parte, já disse que o texto está ótimo, né? Mas faça o possível para educar seus filhos fora daí, hein? Não desista!
    Beijos,
    Isa

  5. christian Diz:

    http://www.gropius.hpg.ig.com.br/pmvm.htm

    Este é um artigo que publiquei num jornal daqui da região no ano passado falando sobre o homeschooling.

    Abraço!

  6. Gabriel Diz:

    Dizae Rafael… também gostei do seu filho utópico… mas não é tão fácil de imaginar… não é tão verossimilhante. Homeschooling parece ser uma boa saída para a falha intrínsica ao sistema educacional do país… Bom ver que você está escrevendo. A propósito, postei um texto no meu blog.. aparece lá depois… abraços!

  7. Rafael Alves Diz:

    Gabriel:
    A forma literária e as características do filho, foram um modo que encontrei para explanar essas idéias sem escrever uma monografia ou um ensaio. O filho é cooperador (talvez um pouco mais do que isso. ;) ) para facilitar a exposição das minhas idéias rapidamente.
    Não quis retratar um diálogo real. Quis escrever sobre como podemos educar nossos filhos no Brasil. Só encontrei essa maneira, e olha que as objeções do Marcelo e da Isa são fortíssimas. Conclusão: Para além da opção literária, há também o aspecto de que SÓ concebo a factibilidade desse projeto com um grupo de professores capazes e com um filho cooperador. Fora isso, não dá! Fujamos do Brasil se assim não for! ;)
    Tá explicado?

    Abraço!!

  8. Luiz Augusto Silva Diz:

    Simplesmente fantástico.
    Mas o quanto essa autorização social atrapalha nossa vida é coisa de louco!

  9. Anonymous Diz:

    Rafa,
    mto bom o texto.

    abraço

    Mariana Hiaya

  10. Bianca Diz:

    Rafa, está na hora de atualizar seu blog. Ou melhor, já passou da hora! :-D

  11. Edu Leon Diz:

    Muito bom!
    Tomarei a liberdade para divulgar o link à algumas pessoas que saberão dar o valor justo a estas palavras.

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