Ouvi dizer, não de poucas bocas, que não há esse negócio de “mais capazes”, não há inatismo, não há dons e nem méritos a serem considerados que possam prevalecer ao conceito de igualdade.
O inatismo é um conceito que faz um conjunto de seres se considerar mais capaz que outro desde o nascimento. Os méritos maiores de uns para com os outros revela uma Meritocracia, conceito que parece ser mais carregado de desafetos do que de explicações claras a respeito.
Dons… Bah! Coisas de quem quer se mostrar superior. Enfim, há uma maneira de entender a realidade humana sem hierarquizar, sem considerar os mais capazes e os menos capazes e sem passar por cima da igualdade. Dizem que deve haver coordenação e não hierarquização. Mas, nunca há coordenação sem as diferenças específicas de uns e de outros, sem as capacidades claras dos que coordenam e dos que respeitam e obedecem a coordenação estabelecida. Não há como fugir à natural hierarquização por mais que se tente.
Os seres não são iguais! Mas, deve haver uma lei natural, talvez divina, que garanta a Igualdade. A Igualdade de tratamento da natureza e suas Leis para com os diferentes seres a elas submetidos. São tratados de modo igual os que estão em iguais condições! Os que não estão em iguais condições não devem ser tratados como iguais pelo simples fato de não o serem!
Junho 3, 2005
Hierarquia e Capacidade ou Coordenação e Igualdade?
Posted by Rafael Nogueira under Uncategorized[8] Comments
Junho 4, 2005 at 11:39 am
Perfeito!
excelente texto.
abraço
Junho 28, 2005 at 12:39 am
Não sei quem pode dizer que não há inatismo. Mais capazes para uma determinada tarefa ou ter uma enzima com um turnover 10^6 maior que a de um outro organismo é totalmente possível e compreensível. Desde o nascimento ser melhor… por que não? Não sei se seria um “Dom”, mas a diferença existe. Hierarquizar é uma conseqüência, um desdobramento. Não defendo isso, mas deixando claro que o inatismo é fato. Igualdade você defende num patamar moral, talvez. Concordo. Mas na essência, ao natural, somos diferentes.
Abraços!
Junho 28, 2005 at 9:39 pm
Olá Gabriel, obrigado por ler e comentar.
Quanto à igualdade, não defendo e nem entendi o que quis dizer com igualdade “num patamar moral”. Eu entendo que há hierarquização, não só como consequência do inatismo, mas como consequência das diferenças entre melhores e piores considerando em aspectos específicos, como por exemplo: não tenho dúvida de que sei mais Filosofia do que o Ronaldinho Gaúcho, mas ele joga futebol muito melhor do que eu. Se ele passasse a estudar Filosofia e se eu treinasse futebol com empenho, nossas diferenças diminuiriam, condicionadas é claro, pela nossa idade, pelas nossas características inatas, pelas nossas preferências… Agora cabe hierarquizar o que é melhor, Filosofia ou futebol. Não é o meu objetivo neste momento.
A Igualdade da qual falei que há, é a Igualdade de sujeição às mesmas Leis (naturais, por exemplo), sendo que as consequências disso serão adequadas à relação das particularidades de um ser com o que estabelece a lei. Um exemplo grosseiro é o de que tanto eu como você estamos sujeitos à lei da gravidade, e não há um ser humano que possa se dizer livre disso. A mesma lei nos subordina, mas nos subordina igualmente desde que estejamos em iguais condições. Você está mais “submetido” à lei da gravidade do que eu, mas se eu aumentar meu peso, ou você diminuir o seu, estaremos igualmente sob os imperativos da dita lei. Eu usei um exemplo físico, porque você está mais acostumado a essa linguagem, mas as decorrências morais e intelectuais disso são interessantes. Depois conversamos mais sobre isso.. Abraço!
Agosto 22, 2005 at 6:52 pm
O Direito explica isso com o Princípio da Isonomia: “Igualdade entre os iguais e desigualdade entre os desiguais.”
O problema é acreditar que a Igualdade é o “Equilíbrio Natural”. Por que o equilíbrio não pode ser instaurado na desigualdade (não se se minha contribuição está pertinente ou não, mas veremos… =p)? Por mais que uma Lei seja Natural, Universal, Jurídica et coetera e sua “redação” seja uma só, ela não necessariamente terá os mesmos efeitos àqueles que ela abrange.
Por exemplo, a Lei da Gravidade, usada com nosso querido amigo acima do peso e exímio acadêmico. Por mais que a Lei da Gravidade aplique-se a todos (sem levar em consideração a massa corporal), para um pode ser a limitação, para outro é o desafio da superação (fiquei até emocionado com isso! hahahahahahahahaha).
E, para acabar, para que teríamos uma “lei natural, talvez divina, que garanta a Igualdade” se essa uniformização (podendo transformar-se numa massificação) nem sempre é benéfica?
Janeiro 11, 2006 at 3:48 am
É isso aí, manda quem pode (o Lula, por exemplo), e obedece quem tem juízo (vocês). E tudo isso em nome de uma “lei natural” inventada por alguns que naturalmente se acham com o dom natural de naturalizar sua altivez e sem-vergonhice sobre os outros.
Janeiro 16, 2006 at 8:51 am
A lei Natural não foi inventada, e foi suficientemente exemplificada. Altivez nenhuma aqui superou a sua, sr. Velez – um cuzão que não se identifica.
Não me refiro à única hierarquia que você consegue enxergar, por burrice ou de propósito. Essa, a hierarquia política, é legitimada pelo povo. E o povo elege aquele que se destaca segundo o seu ponderamento. No caso, o último presidente a se destacar ao juízo popular foi o Lula. Identificar como um povo pensa, ou moldar sua mentalidade, e depois oferecer-lhe o que ele anseia, significa maior capacidade, ou para a persuasão, ou para a reestruturação moral de uma sociedade. Não houve oposição melhor, e nem um outro vencedor, porque os outros fraquejaram, foram mais fracos que a turma do Lula. É fato. É de fácil apreensão. E é hierarquia.
Se ele não é o melhor para governar, aí você terá de explicar ao povo inteiro, não a mim. Para vencer uma eleição é preciso ser o melhor na persuasão. Nunca percebeu isso? Ou acha que, forçosamente, os que sabem governar é que são eleitos. Se, no Brasil, havia alguém mais capacitado para comandar o Estado Nacional, ele foi incapaz de vencer as eleições, e não há como fugir disso. Errou feio, porque deveria ter se preparado também pra isso.
Se tiver QI maior que 12 vai sacar logo seu erro. Se não entender, é melhor ir estudar. E com urgência!
Janeiro 16, 2006 at 9:07 am
Ah! E quem manda e quem obedece na visão de conjunto de uma vida humana está longe de ser, somente, o político e o cidadão. Isso é jogar no lixo todas as outras dimensões humanas, em detrimento da política. É fazer caricatura dos seres humanos. Nem você, que defende essa idéia, se submete integralmente ao Lula. Só precisa de um pouco de juízo pra perceber isso e parar de sonhar.
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Há um ensinamento, trazido há milênios, que diz: Pai nosso que estais no Céu,(…) seja feita a VOSSA VONTADE, assim na Terra como no Céu(…).
Perceba que para fazê-lo, não é preciso revolução nenhuma. Não é preciso destituir poder político nenhum.
Acho melhor dar ao(s) Lula(s) o que é do(s) Lula(s).
Eu, particularmente, não tenho vontade nenhuma de poder político. Ele é todo seu.
Outubro 20, 2008 at 4:56 pm
ótimo texto