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Não, eu não escrevi, nem sou capaz de escrever nada sobre o tema a que o título se refere. Mas…
Aos que se inspiram em Einstein para relativizar tudo, aos que justificam a inexistência da verdade objetiva com base na física quântica, aos que estão certos de que tudo é incerto por causa de Heisenberg, aos que entendem que o relativismo é uma tendência contemporânea generalizada, quase onipresente, e principalmente aos que não gostam nada dessa história de “Tudo é relativo”, aconselho a leitura de um texto, dividido em 4 posts (por enquanto, só o primeiro foi postado), escrito por Julio Belmonte, Mestrando em Física e até onde sei, estudante de Filosofia e Economia.
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Otelo é um personagem que não chega aos pés de Hamlet! Este, espírito inquisidor, de desconfianças acertadas, e de palavras certeiras além de grande esgrimista, supera em muito o valente guerreiro, quase que incomparável em sua época como tal, mas que em assuntos diversos de seus afazeres bélicos é um ingênuo de bom coração.
Matar-se não deve ter sido suficiente para reparar sua imensa falta. Os samurais que eram dignos de assim serem chamados, matavam-se por muito menos. Sua honra era mais ampla. Como já escrevi no ano passado sobre o que ensinava o Grande guerreiro nipônico, não há como vencer sem conhecer um pouco de todas as coisas, sem ver o Caminho em todas as coisas. Otelo não era assim. Portanto, não era um guerreiro tão capaz… Não conseguiu desconfiar nem um minuto de Iago! Desdêmona seria considerada culpada sem maiores provas. Hamlet não seguiu as diretivas do espectro antes de se certificar, por meio de sua peça “A Ratoeira”. Otelo não precisou se certificar, já tinha certeza suficiente, afinal, havia o lenço… Sobre isso refletiu Dom Casmurro: “Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, — um simples lenço! – e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo”. Não há como negar, Otelo foi ludibriado por seus próprios defeitos. Sua ignorância o destruiu. Com isso, não tiro os méritos do engenhoso Iago, que com sua malícia enganou Rodrigo (que não era difícil de enganar) e Cássio (outro homem como Otelo – grande em suas tarefas de praxe, pequeno no que está fora desta órbita de conhecimentos). O Mal não cresce tanto, quando o Bem se afirma com maior resolução e empenho. Não havia tanto Bem assim em Otelo. E nem em Hamlet que apesar de ter alcançado seu objetivo, foi aniquilado….
Ouvi dizer, não de poucas bocas, que não há esse negócio de “mais capazes”, não há inatismo, não há dons e nem méritos a serem considerados que possam prevalecer ao conceito de igualdade.
O inatismo é um conceito que faz um conjunto de seres se considerar mais capaz que outro desde o nascimento. Os méritos maiores de uns para com os outros revela uma Meritocracia, conceito que parece ser mais carregado de desafetos do que de explicações claras a respeito.
Dons… Bah! Coisas de quem quer se mostrar superior. Enfim, há uma maneira de entender a realidade humana sem hierarquizar, sem considerar os mais capazes e os menos capazes e sem passar por cima da igualdade. Dizem que deve haver coordenação e não hierarquização. Mas, nunca há coordenação sem as diferenças específicas de uns e de outros, sem as capacidades claras dos que coordenam e dos que respeitam e obedecem a coordenação estabelecida. Não há como fugir à natural hierarquização por mais que se tente.
Os seres não são iguais! Mas, deve haver uma lei natural, talvez divina, que garanta a Igualdade. A Igualdade de tratamento da natureza e suas Leis para com os diferentes seres a elas submetidos. São tratados de modo igual os que estão em iguais condições! Os que não estão em iguais condições não devem ser tratados como iguais pelo simples fato de não o serem!