Há questões que fazem parte da minha vida porque foram causadas por profundas inquietações, e outras que entram na minha existência por acaso, vêm por necessidade ou por circunstâncias que as exigem. Entendo como minhas questões as que verdadeiramente me inquietam, as que coloco no topo das preocupações de magna importância, e às outras entendo como questões alheias ao meu espírito, secundárias na ordem de relevância. As do segundo caso são, no entanto, extremamente freqüentes, visto que surgem no caminho para o sucesso profissional, nas questões práticas do dia-a-dia e no convívio. O que eu quero mesmo saber é por que diabos eu estou aqui, neste “bendito” lugar específico (cidade, estado, país), com estas pessoas (pais, parentes, amigos, colegas e outros…), desta forma (física, psíquica e espiritual), com estas potencialidades, nesse planeta, nesse sistema solar, universo…
Não é tão fácil perceber que toda e qualquer ação, escolha, arte, projeto, tem por pano de fundo a resposta a algumas perguntas fundamentais. Acho que quase todos conhecem essas perguntas, por ouvir dizer, por já as conhecerem como companheiras inseparáveis, ou por curiosidade. São: “De onde eu vim?”, “Para onde vou?” e “Para quê eu vim?”. Daí, surgem as questões derivadas, como as teológicas, teleológicas, materialistas, existencialistas, humanistas etc. Dos fundamentos destas questões derivadas surgem as ciências. A partir desses fundamentos (princípios) as ciências crescem e se ramificam. Antes da ramificação, tudo é Filosofia. Esta (a Filosofia) é a disciplina que está no cerne de minhas preocupações. E por estar fortemente convencido de que há Deus, também tenho imenso interesse em Religião e pesquisas de caráter espiritual.
E não quero nem saber dos metidos a agnósticos e os próprios, que vêm com historinhas de que não podemos conhecer as respostas a estas indagações. Eles que se contentem com sua desventura e fraqueza. Não dá (para eles) porque são preguiçosos ou por causa dos exemplos de seus insucessos nesta empreitada, o que não implica o insucesso de todos os outros.
O que eu quero é a Verdade. Isso exige uma energia inefável! Eu caio diversas vezes em desespero. A maioria da humanidade próxima à minha esfera de ação não me compreende e me rotula de algo pejorativo para facilitar sua compreensão, pois têm dificuldade em me adequar a um grupo fixo. Mas, tudo isso quando não estou. Na minha frente vejo um bando de “bundas-moles” com suas “bolas baixas” por que vêem coragem na minha fisionomia. Sou (quase) completamente solitário em minhas ações e aspirações, porém não me abalo. Isso não significa que sou isolado! Significa que não preciso de um grupo enorme reiterando minhas convicções. Nem de consenso algum. Sozinho eu sigo em frente, pois são mais valiosas as poucas verdades que adquiri com meu esforço do que o consenso dos imbecis que se juntam para se imbecilizarem uns aos outros (como diz Olavo de Carvalho). Uns poucos (bem poucos) são sim companheiros nesta caminhada solitária e árdua, a mais penosa de todas, mas também a mais digna, proba e honrada. E a nossa comunidade é a comunidade espiritual, como disse Hegel, pois nossos amigos e colegas de conversa são os que afinam com nossos desassossegos mais profundos, independendo da época em que viveram, ad exemplus, Aristóteles, Buda, Confúcio, Dante, etc, ao invés duma comunidade de idiotas completos que se vêem como “os que sabem viver bem e aproveitar a vida”. No final das contas, eles aproveitam a vida do mesmo modo que os insetos, as rãs, os morcegos e as galinhas, com a diferença de que fazem isso de modo mais esmerado, elegante. E essa vulgaridade torna-se a causa final das vidinhas imprestáveis destes seres, e suas profissões tornam-se os meios para tais conquistas. Nada mais!
Ah… Algo mais sim.
A meu ver, junto a Mário Ferreira dos Santos, fugir desse difícil caminho é covardia.