Desde que fui assaltado pela primeira vez por dois moleques que roubaram meus chinelos, não perdi a vontade de sumir com a criminalidade. Já fui assaltado muitas vezes mais, por homens armados numa moto, com revólver na cabeça, com pistola na cintura do inimigo, por oito ou nove maltrapilhos armados com facas etc. Não acredito que com outros jovens de idade próxima a minha tenha sido muito diferente.

Levando em conta que eu não fui um mero azarado, mas que essas são características do Brasil atual, por que a população não contesta isso com maior objetividade, saindo da clave pobre/rico? O que está havendo? Isso é sintoma de quê? É uma situação normal e eu preciso me acostumar com ela ou não é normal? Tenho que combater a criminalidade? Se não, devo aceitá-la, por ela vir da pobreza que se não for eliminada, continuará sendo fonte de violência? Se sim de que modo? É comum atribuírem nossos problemas ao policiamento inadequado. Outros, mais comuns ainda, à fome, à pobreza, à injustiça social… Afinal, o que há?

Acredito que eu não conseguirei tratar com certeza do assunto do policiamento porque não tenho informações suficientes. Não tenho como dizer que os policiais são incompetentes, vendidos, cruéis, tiranos, folgados (e outras mil coisas mais que são propagadas o tempo todo), porque não tenho informações sobre o assunto. Só o “Gabriel O Pensador” é que as têm. Se tivesse que apostar, no entanto, diria que isso aí é falso, e que os policiais têm de ser ajudados pela população e por seus superiores, com mais orientação, condição de trabalho e apoio moral.

 

Os policiais têm de ser defendidos pela população. Sim, foi isso mesmo que eu disse. É um paradoxo aparente. Precisamos defendê-los no campo cultural, propagandista e artístico, além de colaborar com suas operações, oferecendo informações e chamando-os quando necessário. Eu os defendo dos apologetas dos direitos humanos, que são amigos dos bandidos. Eu os defendo dos jornalistas oportunistas e ativistas políticos que adoram macular a imagem das nossas forças policiais. Defendo-os também dos ideólogos de esquerda que adoram defender aqueles que põem armas em minha cabeça, afinal, eles são coitadinhos, e sou um explorador nojento, mesmo não tendo um puto no bolso. Não consigo conceber nenhuma possibilidade de desenvolvimento da sociedade se a segurança estiver tão ameaçada. O primeiro remédio que deve ser dado neste caso de calamidade social é, a meu ver, o reforço contra o banditismo. Não há liberdade coisa nenhuma num lugar onde ninguém pode circular com tranqüilidade, onde comprar pão na padaria é perigoso, onde as operações policiais são sempre tachadas de erradas. As crianças têm de sentir segurança quando os policiais estão por perto, e de ver neles um signo de heroísmo e coragem.

 

Outro dos maiores inimigos da sociedade como um todo, e dos policiais também, é o ideal socialista. Utópico por natureza, é capaz de matar, destruir, criminalizar, prostituir e de fazer mais um monte de barbaridades por onde passar, tudo em nome de uma sociedade melhor (sic) que nunca acontece, pois o que acontece são seus processos de matanças, aumento da fome, do desespero, do subdesenvolvimento, de crenças ateístas que destroem o sentido de vida de incontáveis pessoas que só vão encontrar algum alento no suicídio. Um pequeno exemplo concreto relaciona-se com as pracinhas feitas com a intenção de “tirar os jovens das drogas e levá-los ao esporte”. As que conheço foram feitas no tempo em que o PT estava à frente dos Governos Municipais. Com a idéia de que o esporte dá mais razão à vida de jovens sem recursos, foram criados esses centros de formação de bandidos. O esporte só corrige desvios na medida em que a vida das pessoas passe a girar em torno do esporte e das conquistas advindas deles, assim como qualquer profissão o faria. Jamais um futebolzinho na praça pode corrigir rumos equivocados. A idéia é furada. São antros de drogados, marginais, traficantes e mais um monte de espécimes estranhas, além de um ou outro de bem perdido ali no meio. Tudo o que vem da utopia socialista é mentira, e sua ação é um tiro ao alvo injusto, afinal o tiro sempre sai na direção dos que cumprem com seus deveres e não têm nada a ver com bandidagem. Toda a população acaba vítima desse tipo de sujeira. Sujeira feita em nome da população.

 

E esse negócio de que a ladroagem ocorre por causa da pobreza é a conversa mais fiada que existe. De novo os lunáticos estimulando o crime. A Romênia e a Índia são países muitas vezes mais pobres que o Brasil e têm criminalidade desprezível. Conheço inúmeros exemplos próximos, como o do meu tio-avô que de faxineiro foi para proprietário de vários imóveis sem roubar e nem contar com a sorte, mas sim com sua competência. E as atuais ações de milícia no Rio de Janeiro, encorajadas pela população pobre contra os intoxicadores que levam toda a prole para a máfia, e não a uma vida honrada, justa e promissora.

 

Não me sinto nem um pouco inclinado a acreditar que eu deva esperar que políticos dêem mais verbas aos policiais para poder viver numa ordem social. Essa ordem já passou faz tempo da mera ameaça. Eu mesmo guerrearei contra o crime, contrariando essas mentiras. Quem não se revolta contra tanta brutalidade, contra essa violência iminente pela qual estamos sujeitos a sofrer dia-a-dia, é covarde. Esse tipo de violência crua, sem um mínimo de consideração e sentimento, não é fruto da pobreza, e nem somente da crueldade e psicopatia espontânea de certos assassinos, mas de idéias que nos fazem conviver com essas coisas, que incitam a atitudes extremistas, que pervertem a moral, os bons costumes. Tenho esperança de que a coragem apareça nos corações de meus concidadãos para que possamos combater juntos, e pensar em métodos eficazes para fazê-lo, contra essas condições tristes, profundamente violentas, urgentes, e que são nada mais do que a nossa lamentável realidade cotidiana.

Não tenho por objetivo esquadrinhar aqui todos os fundamentos e toda a estratégia do movimento estudantil. A pretensão única e exclusiva é a de narrar um fato, ocorrido no Estado de São Paulo, como ensaio aos primeiros esboços de uma compreensão cada vez mais precisa do que se faz no meio universitário com relação à política nacional. Sim, com relação à política nacional e até internacional! Seria muito bom se os colegas de outras regiões, como os do site Blogs Coligados, fizessem coisas semelhantes para que possamos nos informar com mais correção do que está realmente havendo no meio cultural mais ligado à política. Eis o resultado dos meus esforços neste sentido:

 

 

Dos primeiros movimentos num Congresso universitário que tinha por fim a formação do maior DCE local da história

 

 

O movimento estudantil deveria se chamar movimento político-universitário. Não tem a ver com estudo, tem só a ver com pessoas matriculadas em cursos do chamado Ensino Superior, e não passa de um meio de ação dos partidos políticos no meio universitário. Ou seja, é um movimento político, parte de uma estratégia de agremiação nacional, que não tem por finalidade NADA que se ligue ao estudo, nem superficial, nem profundo de quaisquer questões ligadas ou não aos cursos freqüentados. São palanques estabelecidos com fins meramente partidários, estratégicos, e ao mesmo tempo auto-promocionais, já que os gerenciadores da baderna são os próximos a galgarem cargos políticos, depois de muito gritarem em público suas mesquinharias.

O que vi, em outubro de 2006, no prédio de uma importante Universidade Católica, foi um movimento da esquerda política. Havia filiados ao PSOL, ao PCdoB, ao PT, e talvez a mais partidos comunistas. Se a ação da esquerda política, ao menos nacional, se dá do mesmo modo, pude encontrar algumas constantes em suas atuações, que foram suficientes para que qualquer brasileiro sinta repugnância por esse tipo de movimento. A orquestração disso, no escopo universitário, tem grande parte da atuação da UNE.

Ao usufruírem de liberdade quase irrestrita, gozando do uso de várias salas, de um salão-nobre e de almoço grátis, os responsáveis por tudo enfatizaram o quão tormentosos e difíceis são seus dias de explorados dentro do cruel ambiente universitário. Mais duros ainda quando em estabelecimentos privados e católicos. Exatamente a situação.

Com um discurso de quem não quer tomar partido em relação às próximas eleições presidenciais, o sujeito que falou em primeiro lugar deu exemplo da mais pura neutralidade, aproveitando o ensejo para dizer tudo o que pôde, mentindo descaradamente quando preciso, contra Alckmin, FHC, PFL e PSDB. E esta foi a tônica! Neutramente todos os organizadores tinham, colados em seus peitos ou mochilas, adesivos lulistas.

A reunião era um Congresso, donde apresentar-se-iam as chapas que concorreriam, em sufrágio, à composição do novo Diretório Central dos Estudantes. O Grande palanque estudantil! Falaram do método, que consistia numa divisão em pequenos grupos de discussão, de onde sairiam as propostas, mui democraticamente.

A seguir explicarei os métodos usados para lidarem com as chapas. E como, já não mais somente como observador, agi diante de tudo.

 

Da queda das máscaras

 

Não fosse eu uma vítima constante da minha própria falta de organização, estaria certo de que algum comunista roubou os papéis em que fiz anotações do dia do Congresso e análises posteriores. Sim, eles sumiram e não acho de jeito nenhum. Contarei os episódios relacionados ao método de formação das chapas e ao desmascaramento de toda a operação mentirosa, mafiosa, antidemocrática, cheia de bondade fingida, esquerdista de alcance continental (ufa!) de memória.O movimento político-universitário prosseguiu em sua ação, e reitero, seguindo os ditames de partidos políticos como provarei na seqüência. Sua tática foi a de juntar alguns grupos de discussão, se não me engano cinco, com mediadores que serviriam para que surgissem propostas bem definidas, cuidando muito bem para que a coisa não fugisse dos objetivos previamente estabelecidos nas mesas de reunião de seus respectivos partidos, e dos objetivos explícitos, que todos conheciam.

Fiquei num grupo de discussão mediado por um pessoal já conhecido por mim. Apresentei-me como um aluno comum, mas fizeram questão de enfatizar que eu sou velho de guerra. Depois de um tempo de bafafá indiscriminado, todo mundo parecia estar se perdendo ali. Foi pedido que os participantes dessem sugestões, propostas de ação. Pedi a palavra. Comecei por dizer que estava pouco à vontade quanto ao fato de estarmos entrando num acordo, ou apenas caindo na aceitação de algo por não se ter pensado mais no assunto. Disse, respondendo a provocações anteriores, que por burrice minha mesmo (houve protestos explícitos contrários a essa posição, o que me fez ganhar em força persuasiva) não tinha conseguido realizar projetos ligados à questão do movimento estudantil, aqueles que eu propunha em reuniões, como um Grupo de Estudos de Política. Não obstante, sem ajuda de DCE nem de CA, e não falando em nome de ninguém que não no meu mesmo, fiz acontecer o que havia planejado. Fundei um Grupo de Estudos e um periódico cultural. Prossegui, até abusando do tempo, dizendo que era bom que ficassem claros os conceitos que estavam sendo colocados à mesa, pois poderiam não ser os únicos e nem os melhores para a ação dos estudantes, e que isto não seria descoberto sem avaliação racional serena. Perguntei também a que este movimento todo estava ligado, se isso tudo não era uma tática, parte de uma estratégia maior, o que deveria ficar claro.

Parece que pus em movimento uma série de manifestações e pensamentos atípicos, visto que quase toda, ou toda, a seqüência foi feita com referência ao meu discurso. O pessoal “sacou que não tava sacando”. Alguns, dentre eles dois mais enfáticos, não aceitaram mais tomar posições sem prévia avaliação. Houve burburinho, até que, talvez por quererem de mim uma posição mais prática, retornaram a palavra a mim, pedindo que eu desse propostas. Disse que só tinha a proposta de fundar grupos maiores para estudar as situações apontadas como críticas pelo movimento. Até que um PSOLista, que simpatizou comigo, decidiu explicar melhor as coisas, perguntando se tudo estava claro pra mim e se podia ajudar com maiores esclarecimentos. Claro que ele poderia ajudar! Aproveitei o ensejo e desenvolvi mais uma das questões passadas despercebidas da primeira vez que falei. De onde vêm estas idéias? A quem o DCE obedece? Isso tudo é parte de uma estratégia política? As pessoas aqui são ligadas a partidos políticos? Se sim, quais?

Senti alguns constrangimentos, mas falei com tanta clareza e simplicidade que começaram por se declarar. Tinham filiados ao PCdoB, ao PSOL e ao PT, majoritariamente. Fora do grupo havia um sujeito, uma figura, que me deixou chateado por não ter descoberto a qual partido era filiado. Tinha a cara arquetípica de sindicalista, cara toda barbuda, com expressão de reclamão… Poderia ser do PCO.

As manifestações no grupo passaram a ser deveras unusuais. Muitos não estavam mais caindo na conversinha, às vezes, na berralheira, dos comunistas. Antes de terminar, uma das mediadoras soltou o verbo, muito exaltada, dizendo que “todos os grupos vão chegar lá com propostas, discutindo tudo. Como é possível que este, o melhor grupo, sairia dali com todo mundo dizendo não saber mais nada”? Pois é querida, esse é o efeito do método socrático! Se isso parece reacionário demais, pode chamar de método do Lula: Não sei de nada, afinal, como vou saber o que é o DCE, o que se faz nesse órgão, o que a reitoria faz ou deixa de fazer, como usam nosso dinheiro, e qual o melhor modo de agir enquanto estudante, se não dá pra saber nem o que ocorre na nossa cozinha quando estamos na sala? Se com uma gigante rede de informação, não é possível saber de um número imensurável de dinheiro desviado pra lá e pra cá, por que, sozinho, devo saber dos secretos desígnios da reitoria querendo me engolir, e do meu papel como estudante? Não sei, oras. Ah não, leitor, isso eu não falei lá; perigoso…

Depois disso houve o almoço. A maior dificuldade aí foi agüentar os indizíveis transtornos estomacais, e a vontade de rir com os amigos de tanta bobagem escutada. Sobrevivi. Comi e ri. Quando voltei para a parte final, momento em que seriam inscritas as chapas para a votação no final, passei mal de novo, acompanhado na dor por amigos. Decidimos ir embora.

Foi uma grande experiência. Pude comprovar uma série de hipóteses e pude testar minhas forças. Se tivesse cinco como eu ali, não haveria DCE constituído, mas sim, um aglomerado de grupos dedicados a aprofundamentos de estudos os mais variados, inclusive o que se relaciona com o panorama político nacional e internacional.

Desde menino eu sempre tive fixação pela questão da certeza. Angustiavam-me as historinhas contadas pela minha avó e pela educação religiosa dada no colégio em que estudei. Acreditava naquilo porque pessoas muito confiáveis, que eu tinha em alta conta, estavam me narrando, e por nenhum outro motivo. Ficava sempre uma pontinha de dúvida, que eu não conseguia expressar de forma nenhuma, mas que aumentou no decorrer do tempo e foi me afastando do grosso da crença generalizada pouco a pouco.Expressou-me a incerteza na minha vontade de conhecer outras culturas, outras religiões, e outras formas de relação com o divino. Nisso fui ajudado por uma infância incomum, não particularmente considerada, mas considerada enquanto dentro de uma geração educada num pluriculturalismo desorientador. Recebi influências as mais diversas: Desde documentários simples que eu mal entendia sobre outras formas de religiosidade, às cantorias dos Hare Krishna que moravam ao lado da minha casa, até o Jaspion, com seus incontáveis derivados, e as artes marciais. Tudo isso me fez por em dúvida TODO o sentido da existência que meus pais, avós e professores tentaram me inculcar. Sem total consciência do processo, por parte dos agentes, a minha geração recebeu todas as influências possíveis para o desvínculo com as crenças tradicionais, e no entanto, não forneceu orientação melhor. Mergulhou um grande número de pessoas num oceano de informações muito dificilmente identificadas segundo seus respectivos valores, o que tornou impossível toda e qualquer avaliação racional. Minha adolescência foi o exemplo disso. Um jovenzinho petulante, vendo um mundo incerto sobre tudo, crendo em coisas inacreditáveis, inventou sozinho um sistema explicativo da realidade e podia se bastar em termos de orientação espiritual. Obviamente com aquela duvidazinha por trás. Passei por seitas estranhas, e visitei uma dita fazenda ufológica. Experimentei alguns alteradores de consciência e treinei para conseguir produzir efeitos paranormais. A queda disso doeu tanto que sinto a dor até agora, embora já tenha levantado.

Com 17 anos, já no limiar da fase dolorosa para a fase mais dolorosa ainda, escrevia no meu cadernos textos auto-biográficos na linha dos de Descartes. Queria ter certeza de algo e me perguntava se era possível estar certo de alguma coisa. Se eu estou perguntando e estou certo de que pergunto eu tenho alguma certeza. Juro que pensei esta baboseira. Estava influenciadíssimo pela leitura de O Discurso do Método e pus em dúvida até as coisas indubitáveis. Mas este é o estado de quem está afogado em burrice e desorientação: Apelar a um francês debilóide. Bem, como eu ia dizendo, escrevi estas coisas num caderno que ainda tenho. Posso até mostrar aos amigos leitores, sei lá como. Posso escanear! Cheguei a conclusões altas demais e senti-me de novo sem certeza alguma do que pensava e escrevia. Cheguei até a “provar” um tipo de “Grande Ninho do Ser”, algo como a partir dum crescendo de certeza em certeza, chegar a concepção de corpo, mente, alma e espírito. Mostrei a algumas pessoas muito próximas e elas gostaram. Pena que nem eu acreditava naquilo.

Há pouco tempo consegui firmar certas posições. Consegui, finalmente, algum apoio aqui e acolá para conseguir estar certo de que é possível estar certo de alguma coisa. Não sei se tudo isso aí tem a ver com a característica astrológica do meu Sol que se encontrava na Casa IX quando do meu nascimento. Sei apenas que estes fatos interiores que narrei ocorreram de verdade. Estou narrando experiências, com o maior distanciamento possível de qualquer tipo de metafísica, para poder estar próximo à certeza da evidência experimental. Está aí um aspecto que me trouxe maior confiança cognitiva: a observação empírica (no sentido amplo que Ken Wilber dá a este termo). Não estou certo de que seja só isso. Mas estou certo de que a confiança que deposito na minha inteligência aumentou deveras.

Um dos textos mais esclarecedores sobre o assunto é o Inteligência e Verdade do prof. Olavo de Carvalho. Não foi só pelo contato com este escrito que consegui maior fé na minha capacidade cognitiva, mas ele ajudou. Um dos fundamentos do fato psicológico de estar certo de que se está certo de que se tem certeza (sim, é preciso saber que sabe que sabe que sabe) é a admissão de certas evidências, de certos dados de experiência óbvios que tinha de admitir forçosamente, sob pena de contrariar os mais simples dados da realidade. Estes dados, por sua vez, implicavam num monte de outras coisas, que ou eu admitia, ou negava a simples apreensão primitiva. Um exemplo simples é o da certeza de que estou escrevendo para publicar num blog, por meio de um computador, pressionando meu dedo sobre teclas, que contêm signos, que são as letras do alfabeto que aprendi quando era muito pequeno. Aceitando os dados desta pequena frase, eu terei de levar em consideração que o blog é um meio eletrônico de publicação de textos feito com apoio na rede mundial de ligação de computadores correntemente chamada de internet, e também que o computador é um aparelho que eu não sei como funciona, mas que alguém certamente sabe, e também que o teclado foi feito especialmente com um conjunto de signos admitidos e compreendidos por uma imensa comunidade de pessoas etc etc etc. Tudo isso é certo. Não tem como duvidar. Se eu duvidar, não há mais blogs, nem internet, nem computadores, nem teclas, e, vai saber… nem dedos. Do nada eu comecei a acumular um volume tal de certezas que não dava mais pra parar quieto na madrugada, olhar para o nada e perguntar com cara de francês: Será que eu existo mesmo?

De cada experiência é possível extrair alguma certeza ou, ao menos, uma elevação no grau da certeza que se tem. Com isso, pude reavaliar cada uma das experiências importantes que recordo desde o meu nascimento, examinando o impacto na minha psique, extraindo com isso a certeza de que minha própria história não tem a clareza de um conjunto bonitinho de causas e efeitos que se sucedem em elos perfeitamente reconhecíveis. Mas a certeza da obscuridade quanto ao meu próprio desenvolvimento, quanto à minha própria biografia chocou-me e levou-me a questionar os fatores caóticos, vamos dizer assim, existentes por acaso, que originaram certos comportamentos de minha parte, diria até que a maioria. Pouquíssimas vezes eu estava obedecendo a um plano próprio, desenvolvido por mim para a minha própria vida. Parecia que só causas de impossível identificação agiam sobre mim. E eis que daí surgem fulgurantes as perguntas fundamentais. Isso é longa história, mas imagino que este seja o marco da espiritualidade genuína. A brecha que qualquer alma precisa para a luz entrar. Se não tenho controle nenhum nenhum nenhum sobre meus atos, e se minha “consciência” é uma semi-consciência indigna de um gorila, que raio de ser eu sou, visto que posso, no entanto, formular esta questão? Devo entregar-me às forças esmagadoras da natureza? Dos deuses? Do Deus Único (de qual monoteísmo? sei lá!)? Do acaso? Do quê? Que influências estarrecedoras são estas que aparecem na minha mente imediatamente como explicações da realidade, sem que eu tenha comprovado absolutamente nada delas? São mesmo representações mentais do real, ou são crendices imbecis? Por que eu não sei o porquê d’eu existir? Por que eu existo? Faz sentido eu ter aparecido como que por encanto, assim como parecem ser meus atos? Ou fui criado, assim como parecem ser outros de meus atos, muito muito menos numerosos? Se fui criado, para que o fui? E Quem me criou? Quem é o Criador?

Quem souber tudo isso aí me conta já! Não estou certo de ter as respostas fundamentais, mas apenas hipóteses de maior ou menor probabilidade para efeitos de ação prática diária. Não posso esquivar-me de viver porque não sei por que vivo. Já sei um monte de coisas, e sei que as sei. Digo mais. Sei que sei que sei tudo isso aí. Sei que escrevo tudo isso tentando ir do processo da minha experiência real, ao da minha imaginação, ao da elaboração de signos verbais adequados e, finalmente, à escrita mesma, objetivando que tudo isso vá produzir efeitos reais nas psiques dos leitores e posteriormente na vida física, mesmo que haja rejeição a toda minha exposição verbal. Mesmo assim, não consigo estar certo do que é o principal em minha vida, e meus contemporâneos, quiçá a humanidade quase inteira já morta, não sabem nada nada nada dessas coisas. São uns acreditadores de ladainhas inverossímeis. Não pararei de trabalhar para minha própria elucidação. Prometo que a divulgarei se chegar a conquistá-la.

Agradeço aos leitores a paciência empregada na leitura, virtude esta que, possivelmente, ajudei a exercitar.

(Escrevi tudo de uma vez. Depois corrijirei tudo. São 8h00 am e estou morrendo de sono.)

(Já fiz algumas correções.)

Abraços!

Eu estava com dúvidas quanto à morte de Saddam Hussein. Acordei com a notícia e vi trechos das imagens que anteciparam sua morte. Sim, as de Saddam com a corda na goela.

Agora, acho mais provável que ele esteja morto mesmo. Aconselho aos que estão com muita dúvida, e a todos os que queiram vê-lo morrendo, este vídeo.

A Justiça tem de intimar Lula
a explicar suas reuniões clandestinas
com narcotraficantes e seqüestradores

Há dezesseis anos o sr. Luís Inácio Lula da Silva, junto com outros líderes esquerdistas, se reúne regularmente com os representantes de entidades criminosas como as Farc, fornecedoras de cocaína ao mercado nacional, e o MIR chileno, seqüestrador de brasileiros.

 

O órgão que promove esses encontros chama-se Foro de São Paulo. Foi Lula quem o fundou e presidiu até 2002, mas mesmo depois de assumir a presidência da República continuou participando dos encontros.

 

Recentemente ele declarou, entre os participantes do Foro, que essas reuniões eram propositadamente camufladas, para que ninguém soubesse o teor do que ali se falava. Mas admitiu também que as conversações foram decisivas para ajudar Hugo Chávez a sair vencedor no referendo de 2004.

 

Outro resultado foi uma resolução coletiva, emitida poucos meses antes da eleição de 2002, que tomava partido das Farc no confronto com o governo colombiano, acusando este último de “terrorismo de Estado”. A resolução foi assinada por Lula depois de o traficante Fernadinho Beira-Mar ter confessado que comprava cocaína das Farc para distribuí-la no Brasil, destruindo as vidas de milhões de nossos compatriotas, inclusive crianças. Ao mesmo tempo, o Exército notificava freqüentes tiroteios com as Farc na selva amazônica, e as polícias estaduais informavam que agentes dessa organização narcotraficante estavam dando treinamento de guerrilha urbana a bandidos do Comando Vermelho e do PCC.

 

Com que autoridade um presidente da República se reúne em segredo com criminosos notórios para ajudar um político estrangeiro seu amigo, intervindo nos assuntos de uma nação vizinha sem dar ciência disto ao Congresso ou à opinião pública? Com que autoridade ele nos torna a todos “solidários” com agressores do país, com seqüestradores de brasileiros e com assassinos das nossas crianças?

 

As Farc e o MIR são inimigos do Brasil. Lula é amigo deles. Ele tem sabido proteger esse segredo tenebroso, graças à ajuda de seus colaboradores infiltrados na mídia.

 

Simplesmente não é possível admitir que esse conspirador sinistro se apresente candidato às eleições presidenciais antes de prestar esclarecimentos cabais sobre esse aspecto encoberto e clandestino das suas atividades.

 

As autoridades judiciais devem intimar Lula a entregar imediatamente toda a documentação das reuniões do Foro de São Paulo e a explicar as estarrecedoras declarações que fez no discurso que proferiu no décimo-quinto aniversário dessa entidade em 2 de julho de 2005, no qual confessa ter ludibriado o Congresso e o povo para ajudar Hugo Chávez por baixo do pano.

Olavo de Carvalho
www.olavodecarvalho.org

 


Documentos e provas:


 

Em meio a estudos da matéria a que serei avaliado na universidade em menos de 48 horas, li e reli alguns textos do filósofo e jornalista espanhol Ortega y Gasset. Ortega escreveu um livro chamado “A rebelião das massas”, ou, como um amigo chama “A revolta do ravióli”. No livro constam artigos sobre sua compreensão de convivência humana, e digo mais, até de natureza humana, publicados no periódico de Madrid, El Sol. O espanhol pareceu colaborar com o meu desvio de foco de atenção do direito a outros estudos que, ao menos quando distraído considero mais interessantes, afirmando que “o direito é a secreção espontânea da sociedade”, não seu acordo, o que muito me intrigou. Da idéia geral que captei de sua leitura extraí o fundamento desta crônica.

Como já escrevi, nós os jovens brasileiros, “somos todos filhos de uma grande desorientação”. Atribuí as causas dessa descaracterização à “derrota acachapante da auto-consciência contra as influências externas, que vieram graças aos avanços da ciência positiva, que nos trouxe a tecnologia que, por sua vez, permitiu a comunicação global. Passamos de uma vida que era reflexo distante da vida tradicional européia a uma incompreensão mórbida, capaz de destruir sem escrúpulos toda capacidade de entender para onde se caminha.” Ora, isso tudo não é exclusivo deste país. Todas essas coisas já aconteciam na Europa. Enquanto éramos ainda um reflexo da Europa barroca, lá eles se modernizavam e, sua sociedade se uniformizava, perdendo os matizes da sociedade tradicional. E nem havia Internet! Mas, é claro que a proximidade das diversas nações, e do desenvolvimento das comunicações contribuiu para tal. Ortega definiu essa mudança da civilização como uma “pavorosa homogeneidade de situações em que vai caindo todo o Ocidente”.

Adorei ler Ortega. Nunca tinha dado a ele a atenção que merecia. Em relação ao diagnóstico que fiz, quando me referi às ciências positivas, acho interessante citar a visão do espanhol. Eu lidei mais com o aspecto do desenvolvimento das comunicações sem um acompanhamento de auto-consciência, visto que, pelo contrário, significou um eclipse do resto de visão crítica e histórica que as pessoas tinham sobre si mesmas. Ele tratou mais da discrepância entre o que se desenvolveu tecnologicamente e o que foi feito em relação às humanidades, o que é perfeitamente complementar com meu pensamento: “Há uma incongruência entre a perfeição das nossas idéias sobre os fenômenos físicos e o atraso escandaloso das ciências morais. O Ministro, o professor, o físico ilustre e o novelista soem ter dessas coisas conceitos dignos de um barbeiro suburbano. Não é perfeitamente natural que seja o barbeiro suburbano quem dê a tonalidade do tempo?”.

Foi dito sobre homogeneidade e sobre a miséria moral. O barbeiro, não é necessariamente representante da miséria moral, é o símbolo da pessoa média. Aquele que não tem muito a dizer, nem muito a fazer, mas que vive para si e por si. Os intelectuais que ele compara com o barbeiro são os de quem se espera excelência moral. No entanto, são como os barbeiros. Ora, quem nunca viu isso aqui? Talvez a excelência moral exista em algum nonagenário, mas não conheço nenhum. Alguns septuagenários que conheço são sim sujeitos que superam essa média, além de um ou outro sexagenário. Não consigo pensar em mais camada nenhuma que eu tenha tomado contato que não caia na descrição precisa de Ortega. As nossas cabeças incluem-se nisso sim, como podemos ver por esta frase: “Esse homem-massa é o homem previamente despojado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas ‘internacionais’”. Por aqui, em relação à nossa história, só se fala em “ditadura militar”. E, fora o PRONA, não conheço projetos que nos façam refletir sobre nossa nacionalidade. E quanto aos tais raros espécimes?

No início do livro, Ortega distingue o homem excelente do homem vulgar dizendo que aquele é “o que exige muito de si mesmo”, e este, “o que não exige nada, apenas contenta-se com o que é e está encantado consigo mesmo”. Fico tentado a explicá-los mais e assim o farei.

Começo pelo pior, para terminar em escala ascendente. Segundo Ortega, o mundo do século XIX, produziu automaticamente um homem novo, e intrometeu nele “formidáveis apetites, poderosos meios de toda ordem para satisfazê-los – econômico, corporais (higiene, saúde média superior à de todos os tempos), civis e técnicos (entendo por estes a enormidade de conhecimentos parciais e de eficiência prática que hoje o homem médio possui e de que sempre careceu no passado) -. Depois de haver estabelecido nele todas estas potências, o século XIX o abandonou a si mesmo, e então, seguindo o homem médio sua índole natural, fechou-se dentro de si. Desta sorte, encontramo-nos com uma massa mais forte que a de nenhuma época”.

Já a vida do homem excelente “não lhe apraz se não a faz consistir em serviço a algo transcendente. Por isso não estima a necessidade de servir como uma opressão. Quando esta, por infelicidade, lhe falta, sente desassossego e inventa novas normas mais difíceis, mais exigentes, que a oprimam. Isto é a vida como disciplina – a vida nobre -. A nobreza define-se pela exigência, pelas obrigações, não pelos direitos.” Ortega chega a citar Goethe: “Viver a gosto é de plebeu: o nobre aspira a ordenação e a lei”.

Para Ortega, nobreza é sinônimo de vida esforçada, posta sempre a superar-se a si mesma, “a transcender do que já é para o que se propõe como dever e exigência”. Afirma que, desta maneira, “a vida nobre fica contraposta à vida vulgar e inerte, que, estaticamente, se reclui a si mesma, condenada à perpétua imanência, caso uma força exterior não a obrigue a sair de si. Daí que chamemos massa a este modo de ser homem – não tanto porque seja multitudinário, quanto porque é inerte”.

Por que fazer diferente, senão inspirar-me pelos que “são os homens seletos, os nobres, os únicos ativos e não só reativos, para os quais viver é uma perpétua tensão, um incessante treinamento. Treinamento = áskesis. São os ascetas”? Não vejo outra saída a não a ser a de seguir um caminho análogo, já percorrido pelos ilustres da cidade de Santos que representaram com sua vida e labor tudo o que diz o sujeito de Madrid.

Para completar essa nova amizade intelectual, e a luz que esse fato me trouxe, cito-o em sua resposta ao Zeca Pagodinho, sujeito que trabalhou, mesmo que inconscientemente, a serviço da destruição das forças morais, já parcas, dos brasileiros: “Numa época como a nossa é bom tomar contato com os homens que não se deixam levar”. Nós, os jovens, desorientados todavida, não poderemos construir nada diferente se não optarmos por esta nobreza. Finquemo-nos em nossa história, construamos, segundo nossas possibilidades nossas vidas individuais sobre as bases do trabalho abnegado e com fins transcendentes. Cultivemos o estudo e a tenhamos a imagem clara do responsável pela existência de nosso rincão: José Bonifácio. Não preciso dizer que senti uma afinidade espiritual fora do comum com este filósofo da terra de Cervantes. Agora, já disse.

Introdução

O presente texto é uma incursão no campo da auto-ajuda. Não no sentido pejorativo do termo, mas em seu sentido próprio. Trago os resultados de minha observações, experiências e estudos, condensados em breves indicações aos interessados em lograr êxito neste setor da vida, a saber o namoro como condição pré-matrimonial, que nos apresenta tantas e tão difíceis e constantes provações.

É uma versão editada da primeira que fiz e distribuí a amigos. Não quero que se entenda que esta é, necessariamente, minha estática e imutável tábua de valores em se tratando desse assunto. Sempre, sempre que algum elemento de juízo supere minha concepção, eu modificarei meu pensar e proceder.

A expressão literária é um tanto densa. Tentei focalizar os elementos estruturais e lançá-los, um a um, com escassos comentários, mas com as explicações básicas. A intenção é fomentar a reflexão acerca do assunto. Digitar tudo como eu entendo, com um excesso de informações, pode acabar por aumentar o número de erros, e tirar o convite à AUTO-ajuda, ficando como um agrupamento de conselhos, muitas vezes, ineficazes.

Ratio Agendi:

  • Das duas demandas num mesmo dia, e das (muito) freqüentes demandas nos últimos tempos por esclarecimentos maiores sobre esse tema.

Modus Ratiocinandi:

  • Levar em conta o pensar e o sentir – sentir mais no momento de escolha do parceiro, pensar durante o relacionamento em estado de contemplação amorosa, sentir de novo, agora com toda a consciência do amor edificado;

  • Da possibilidade de ordem hierárquica na apresentação dos elementos - pode haver uma hierarquia que me escapou ao apresentar os elementos. Se algum leitor quiser ajudar, agradeço. Minha única observação é a do nº1 como o inferior, afinal, os valores estéticos são superados pelos outros apresentados aqui;

  • Da qualidade mutável do exame dos elementos segundo uma visão transcendente ou intranscendente (principalmente o 2º elemento, já que os outros são mais auto-explicativos).

Tábua dos Elementos

  1. Exigência estética. Senso estético. Aceitação estética. Não havendo esse deleite estético, ou no mínimo aceitação, haverá incômodos constantes, já que viverão juntos.

  2. Afinidade de projetos de vida. [Admite gradações de intensidade e de qualidade] Se os propósitos são inconciliáveis, não se deve enamorar. Isso num sentido amplo, abrangente, não só no profissional, por exemplo.

O elemento 2, principalmente, pode [deve] existir, num determinado grau e de um jeito específico nas amizades. Se ele muda de qualidade, e atende às exigências seguintes, deve-se enamorar. Por qualidade entende-se o planejamento de um implicando a vida do outro e vice-versa. A intensidade não converte amizade em enamoramento necessariamente, sendo ótimo para a amizade a intensa comunhão de planos de vida.

  1. Homem é Homem e Mulher é Mulher. Que os exemplares de cada um dos gêneros sejam empenhados em cumprir seus respectivos papéis. Ex: Instintos e peculiaridades psicológicas (homem primitivo – espalhar sementes, defender, caçar, prover, predominância mental / mulher primitiva – selecionar o macho ideal, cuidar da prole, administrar o domicílio, predominância sensível). N
    ão há lugar, do ponto de vista do namoro dentro da razão de ser da existência universal, às predileções eróticas ho
    mossexuais. Como na tela em que Virgílio acompanha Dante no Inferno, penso que isso só serve ao rebaixamento moral, ao dano das fibras energéticas que nos leva à mais crua escravidão espiritual. E o senhor é o Chefe dos Infernos.

  2. Contemplação amorosa, que forçosamente será seguida da consciência da relação de real e ideal. Morte do príncipe encantado (que se mostra sapo, e exige o beijo da princesa) e da bela adormecida (que deve se tornar bela acordada, se tornar princesa e beijar o sapo). Nasce a intimidade com a realidade o que permite o forjar e, do avanço, o polir. No início deve-se querer ver cada vez mais o que é a pessoa, sem desejar que ela venha a ser nada, antes de se ter uma idéia mais real do ser. Depois disso, pode vir a idéia de um dever-ser, pois será lícito, acordável, realizável e deverá ser louvável.


  3. Edificação mútua. Martelo e buril erguidos por ambos, em mútuo acordo, para o crescimento integral. Os arquétipos eleitos como ideais a serem incorporados vão se atualizando na vida matrimonial por meio da ajuda que um presta ao outro. Examinar o que é mutável e o que é imutável, e, posteriormente o que é perfectível e o que não o é. Nesse pé, laborar, estudar, e tentar seguir as orientações espirituais ao máximo. [Como na máxima monástica – Lege, relege, ora et labora]

Suportar com paciência as batalhas perdidas na guerra pelo aperfeiçoamento. Se há intenção, vontade, e trabalho no sentido correto, os erros devem ser relevados, trocando o pessimismo pelo mais enérgico otimismo, enquanto houver o acordo.

  1. Desapego calcado na concepção do individual. O processo de acercamento a Deus por meio do [1.] companheirismo e do [2.] engendro de uma família (Vide Gênesis) deve ser a finalidade. E não uma ligação com idéias efêmeras que se pretendem eternas. Eterno é o enlace com o Criador, e a esse ambos devem se dedicar e servir. Fora disso, é escuridão, erro, burrice, morte, ciclos intermináveis (samsara) e não evolutivos, etc. O companheirismo prescinde da reprodução, sendo a razão de ser dos namoros entre os que não querem ou não podem fazer família.

Esclarecimentos Finais

Espero que o meu propósito, qual seja o de suscitar a reflexão profunda acerca do namoro e do matrimônio nos leitores amigos, se cumpra com excelência. Não quero, nem posso, esgotar o assunto. Quero mostrar que há possibilidade de se extrair muito daí, não em termos unicamente especulativos, mas num sentido vital, em que vida e texto se fundem no autor.
Meus melhores votos aos guerreiros que se inspirarem em algo que coloquei aqui, nem que seja para rebater tudo!
Para finalizar, venho dizer que dedico este texto à minha dama, a quem sinto profundo afeto e gratidão.

Um dos meus anelos é o de morar numa nação digna de ser chamada assim. Sinto-me muito distante dessa realidade e posso enumerar um milhão de motivos. Não há comparação possível do Brasil com outra das grandes nações do mundo que não me deixe envergonhado. O fanatismo por um esporte, umas batucadas tribais numa época do ano e o caso fortuito de ter nascido dentro do mesmo limite geográfico dão a característica definitória do brasileiro. Não há nada além disso. Um único traço sequer de força de espírito aparece por aqui.

Visitei apenas dois países além do Brasil, com pouco tempo de colher dados de observação para uma comparação bem-feita. Países da América Latina. Na Argentina (tão odiada Argentina) tem livrarias incomparavelmente mais completas do que as brasileiras. Seu povo é muito mais culto.

Os representantes deste país estão sujos de mau-caratismo até o limite do irreversível. Há agrupamentos se aproveitando de brechas legais, astuciosamente criadas, para fazer crescer um governo alheio ao Estado de Direito. O Estado de Direito é uma piada sem graça. A sociedade civil não está num acordo razonado, fruto de lutas mentais que objetivam o melhor a todos, mas sim com uma palhaçada, uma mentira institucionalizada que deixa muitos inseguros e atônitos. Quase nenhum brasileiro sabe o conteúdo de sua Constiuição e nem os porquês da opção por tais e tais princípios jurídicos. Pior, muitos bacharéis em Direito também estão nesse estado. O brasileiro ordinário não tem espiritualidade própria, vive de uma falsa bondade, calcada em quimeras. Aqui não há mecanismos de defesa eficientes, em nenhum sentido. O nacional daqui não tem consciência moral, e se a tem numa ínfima proporção, já teve sua dignidade moral devastada por ondas constantes de cobranças desleais, hipócritas e desumanas. Aqui não há homens fortes que, com sua iniciativa, ergueram nações inteiras dos mais porcos estados aos mais nobres. Parece ser um aglomerado de erros infindáveis.

Isso não é pessimismo nem lamentação. É uma tentativa de descrever o que sinto dia-pós-dia vivendo aqui. Gostaria de saber o que tenho que fazer diante de tudo isso, ou se não há nada para mim dentro disso. Não quero ser mais uma alma reclamona, mas uma alma que percebe o que há em torno, e que faz o que Ele quer que seja feito diante disso tudo.

Se me pedissem para dizer em poucas palavras o que há e o que se deve fazer, eu diria: Nós, brasileiros, estamos desorientados, desmoralizados, emburrecidos. Não há outro caminho que não o da inteligência. Neste caminho se acha a orientação espiritual, a conquista da moralidade e do verdadeiro saber.

Enquanto isso, em terras germânicas, o time brasileiro de futebol perde, num campeonato mundial do esporte dito “o mais popular do mundo”. Esporte tomado por motivações e divulgações de pensamentos muito “supimpas”, advindos da ONU, aquele negócio que tem um monte de gente colorida. Por aqui só se fala disso: Perdemos por causa de banhas, por causa de falta de vergonha na cara, por causa de burrice do técnico, por uma espécie de “mensalão francês”, por excesso de fama, glória e grana etc. Há analistas em todos os cantos tratando de desvendar as mais remotas causas de nossa vergonha futebolística. É lamentável pensar que alguém supôs que, neste post, eu trataria disso e não daquilo que tratei. Não é culpa do que supôs, afinal, só se fala disso. Neste país, o senso das proporções é virtude escassa, quando deveria ser condição de vida normal. O Brasil está derrotado.

O Brasil encontra-se em um de seus estados mais calamitosos. Muita gente decepcionada, muita gente cheia de idéias para resolver tudo, mas mais gente ainda desnorteada, sem saber o que pensar nem o que fazer. Esse momento é a chave para uma elevação. Refletem, neste momento, até pessoas que vivem de modo irreflexo quase o tempo todo. Levando em conta a hegemonia cultural de um só lado da moeda, e a quase chegada da Copa do Mundo, já sei que elevação não ocorrerá.
Eu, de minha parte, resolvi pensar mais detidamente sobre o assunto, e não fui muito longe por falta de capacidade. Formulei uma hipótese, no entanto. Muita gente está chegando num estado que, condensado numa frase, ficaria assim: — Oh! E agora quem poderá me ajudar? — É possível que o leitor tenha respondido imediatamente com um: — Eu!!! O Chapolim Colorado! Não contavam com minha astúcia!! — Aí está expressa minha hipótese. Quem será o Chapolim eu não sei muito bem, mas estão prontos para recebê-lo. Y no olviden, no! Ciertamente será mucho, mucho colorado!

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Cansei-me da absoluta profanação que fazem com a palavra Filosofia, tão cara a mim. Parece que todo professor de Filosofia começa por dizer aos seus alunos, e a quem quer que lhe dê ouvidos, que ela significa “amor à sabedoria”. A realidade de quem fala é tão distante do conteúdo vivencial destas palavras que aluno nenhum dá bola pra isso, colocando as coisas em seus devidos lugares, por ignorância dos dois lados. Parece tão, tão bonitinho, meigo, charmoso, dizer que se ama a sabedoria ou que se é amigo dela. Mas que raio de amor é esse? Como isso se dá?
Disse a uns amigos que isso se vivencia e que podemos experimentar isso. Amor à sabedoria é fácil falar, mas como sentir e ter isso inscrito no viver de cada dia? Como apreender esse conteúdo nos primeiros contatos com o saber magno?
Pautar a vida pelo caminhar de certeza em certeza – a ascensão na escalaridade das certezas – buscar sempre o que há de mais verdadeiro, mesmo que isso seja somente um sentimento íntimo, uma simples apreensão das coisas como elas são ou uma súbita descoberta que surge fulgurante ao olhar observador, é um estágio do viver Filosofia.
Esses professores devem sentir tesão pela sabedoria. Vivem de decorar trechos de pensadores e citá-los e citá-los sem nenhuma experimentação daquilo que se lê. Tratam os textos como o fundamento de tudo, as linhas, as palavras… É uma conjunção carnal com os textos. Talvez pensem que essa putaria toda acaba chegando na sabedoria. Logo ela, que traz tantos inconvenientes aos que se lhe aproximam, vide Sócrates, o arquétipo do que ora digo. O que ela pode fazer por nós é libertar-nos de prisões internas, das nossas mais ferozes escravidões. Pode nos levar à vida contemplativa, e, quem sabe, até a santidade. Mas não! Querem levá-la ao motel. Esses são nossos sacerdotes!

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É muito mais próximo da realidade brasileira pensar em levar uma deusa à cama do que em aprender as virtudes divinas com ela. A ação conjunta dos nossos sacerdotes com o Chapolim é de amedrontar!!!

Conversando com um amigo, o Carlos, refletimos: Mais vale o Brasil ser invadido pelos EUA, ou voltar ao domínio português? Melhorar via intervenção estadunidense ou via revogação da independência?

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Honra, habilidade e estratégia militares, inteligência e fidelidade num só sujeito!
Parece coisa doutro mundo? Ou de aulas de religião? Palavrório de malditos hipócritas?
Não acho! Eu vi tudo isso aí em ação hoje!
Ãhn, onde vi? Em atitudes de amigos? De professores? De policiais? Em algum livro sobre um Santo? BraveHeart?
Não, num filme de bang-bang. Tava assintindo ao O Dólar Furado e pensei que estamos com falta de tipos como O’Hara.

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Depois de anos querendo ler alguma história de Sherlock holmes, consegui finalmente realizar tal intento. Gostei da história – O Cão dos Baskerville -, do incentivo ao raciocínio dedutivo, à sagacidade. Achei o personagem singular, muito interessante, embora não “fascinante”. Fiquei com vontade de fumar aquele fumo forte do charuto dele!
Confesso que esperava mais do personagem, que não era tão sábio. Depois volto ao assunto.

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De novo falando com o Carlos, lamentamos o fato do Mário Ferreira dos Santos ser branco e heterossexual. É preciso uma revitalização nos estudos da obra dele. É a maior do Brasil. Se ele fosse negro ou bicha, parece que tudo estaria devidamente divulgado e preparado pra publicação. Pergunto-me se não vão abrir algum tipo de instituição em defesa dos gordos.

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